Sábado passado o  menino Isaiah,  de quatro anos , caiu na jaula de um gorila num zoológico em Cincinatti. Harambe, o gorila de 17 anos,  foi abatido  . Uma testemunha gravou este vídeo, publicado no YouTube e exibido em redes de TV em todo o mundo.

A cena é assustadora e chocante, não dá pra saber se o gorila está brincando, agredindo ou protegendo o garotinho de 3 para 4 anos. O final é trágico para o gorila,  que foi executado a tiros por autoridades do zoológico.

Um acontecimento como este, não apenas se espalha pelo mundo, mas levanta opiniões, visões e questionamentos sobre o que aconteceu.

Para cada pergunta, muitas outras perguntas podem se desdobrar, das mais práticas até as mais filosóficas.

Como o menino caiu? Foi negligência dos pais? Falta de segurança do local? Foi culpa da criança? Uma criança pode ser culpada? Foi culpa do Zoológico? Por que existem zoológicos? Os gorilas não deveriam ficar em seus habitats naturais? Precisava matar o gorila? Por que não deram tranquilizante? Demora muito pra fazer efeito? Foi a melhor decisão? O menino vai ficar estigmatizado para sempre por ter gerado a morte do gorila? O gorila ia fazer mal pro menino? É possível responder a essa última pergunta? Adianta fazer abaixo-assinado contra o zoológico e as autoridades que executaram o Gorila? Todos os acidentes podem ser evitados ou é acidente é acidente e faz parte da aleatoriedade do universo?

Há especialistas em animais que dizem que ele não ia fazer mal ao garoto porque ele não ‘bateu no peito’, mas SABER, como ter certeza que ESTE gorila, assustado pelas pessoas gritando não ia fazer mal pro menino? Como ter certeza que o menino, tão pequeno, não ia fazer algo que irritasse o gorila? E se o menino se afogasse na água?

Há  um depoimento do homem que há 17 anos convive com o ‘Gigante Gentil’, como ele chama o gorila, dizendo que ele não faria mal nenhum. Será que ele precisava mesmo ser executado? Não dava pra jogar uma rede, uma anestesia forte e imediata? Existem essa anestesia ou estou fantasiando?

E, claro, há algo REAL:  todo o ódio contra os pais que já foram encontrados no Facebook e estão recebendo ameaças de morte por redes sociais.

Os pais, Michelle Gregg e Deonne Dickerson, têm quatro filhos. A mãe disse que sua filha pequena estava chorando e enquanto ela foi atender a menina o pequeno Isaiah subiu numa mureta, entrou por baixo de uma grade e caiu no fosso. O pai diz que foi um acidente. Cada um diz uma coisa.

Fato é que tem tweet dizendo  que o gorila deveria ter sido salvo e deveriam ter abatido a mãe (!). Há posts mostrando toda a vida do casal, onde moram, onde trabalham, o que postavam no Facebook, outros comentários de pessoas. Até mesmo as publicações de uma ex-mulher do pai do garoto foram rastreadas. Pessoas que acompanharam a cena dizem que a mãe e o pai não foram buscar ajuda, mas gritavam para o filho ficar calmo, que o amavam muito, enquanto outros visitantes chamaram autoridades do zoo.

É evidente que ninguém queria que o gorila fosse executado. Como também não queríamos que ele vivesse num zoológico. Como não queríamos que o menino caisse. Agora que vivemos (quase) todos em rede, poderemos decidir que sociedade queremos, o que a maioria considera certo ou errado, adequado ou não.

Mas, por enquanto, o que vemos é que qualquer coisa, qualquer notícia, imediatamente levanta ondas de ódio e perseguição. Todo mundo já assume um lado, uma posição e, depois de um primeiro julgamento apressado, já sai atacando e acusando o lado oposto.

E o que sabemos, com certeza, até aqui?
Quais são as respostas para todas as perguntas?

O que sabemos é que um menino caiu no fosso de um gorila num zoológico.
O menino está bem.
O gorila está morto.
Os pais estão assustados.
A sociedade está louca.
A vida segue.
Ninguém sabe as respostas.