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Pinóquio e o monstro de Frankenstein são dois personagens da ficção que se tornaram arquétipos permanentes na imaginação humana. O fator atrativo de Pinóquio não é o nariz que cresce a cada mentira, mas a conversão de um boneco de madeira em um menino de verdade. E o monstro de Frankenstein é uma fábula assustadora sobre um homem vivo e pensante feito a partir de pedaços de cadáveres.

Tanto Pinóquio como o monstro são criaturas que se transformam – passam de coisas inanimadas para seres sencientes.

As duas ideias (o boneco que vira pessoa e o cadáver que volta à vida) se espalharam em mil narrativas e derivações.  O monstro de Mary Shelley e o boneco de madeira de Carlo Collodi surgiram no século 19, mas são memes culturais, sociais e tecnológicas que se reproduzem sem fim.

O computador HAL 9000 em “2001: Uma Odisseia no Espaço” é o monstro de Frankenstein. O menino-robô David de “Inteligência Artificial” é uma homenagem explícita a Pinóquio.

No século 21, tanto Pinóquio como o monstro de Frankenstein passaram do mundo da ficção para a realidade. Os processadores extremamente velozes, as técnicas de integração em rede e posicionamento global permitem que criaturas da ficção se tornem cada vez mais reais – em muitos casos superando os cenários imaginados há poucos anos.

No filme “Her” (“Ela”) realizado por Spike Jonze em 2013, o personagem interpretado por Joaquin Phoenix tem um caso de amor com um sistema inteligente chamado Samantha, que tem a voz de Scarlett Johansson. Samantha é Pinóquio e Frankenstein ao mesmo tempo, um ser intermediário entre o fabricado e o autônomo, a vertiginosa fronteira de nossa capacidade criadora e os riscos da neuroses de seres sencientes totalmente sintéticos.

Com assistentes pessoais quase-inteligentes como o Siri da Apple e seus similares (concorrentes), estamos nos aproximando de uma quase-Singularidade: já estamos próximos demais de criar verdadeiros Pinóquios e Frankensteins. Podemos ter sentimentos por objetos inanimados, por linhas de código e algoritmos que parecem sentir e reagir.

Dentro de dez anos, será possível dizer a diferença entre pessoas e bonecos que se tornaram gente?

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