Turbina da Informação

A seção Acervo do Estadão registrou a data: há exatos vinte anos, o Grupo Estado anunciava orgulhosamente sua estreia na maior novidade tecnológica da época: A World Wide Web. Também conhecida como Internet. Duas décadas depois, já somos íntimos da internet (sem o “i” maiúsculo), também chamada de net, ou simplesmente de rede. O fac-símile da página de 19 de fevereiro de 1995 pode ser visto aqui.

O texto, assinado pelo saudoso Eduardo Castor Borgonovi, revela acima de tudo como são imensas as mudanças tecnológicas e sociais que ocorrem em vinte anos. Para os mais velhos, vinte anos pode parecer quase ontem, mas para boa parte dos brasileiros e dos leitores do blog, vinte anos é uma vida inteira, ou quase.

Para esses mais jovens, peço que tentem imaginar um mundo sem internet, sem celular, sem iPhones, sem aplicativos. Um Brasil estranho, onde boa parte da população não tinha sequer telefone em casa. No começo dos anos 1990, o telefone fixo era uma preciosidade, um bem. Parece mentira, mas na época uma linha telefônica podia valer até US$ 10.000 no mercado negro em alguns bairros de São Paulo.

Antes mesmo do lançamento oficial da Web no Brasil, o Grupo Estado estava na vanguarda da distribuição eletrônica de notícias e informações. A Agência Estado usava um sistema de FM para transmitir o noticiário financeiro Broadcast para os terminais de seus clientes. Havia uma série de boletins via fax, enviados todas as manhãs para os assinantes. Pagers, os avós dos celulares, eram usados para transmitir alertas e “breaking news”.

Com a chegada da Web, o Estadão ingressou no pequeno grupo de jornais digitais da época. Um clube seleto que incluía o New York Times, o mexicano Excelsior e o egípcio Al Ahram, a revista Time e a agência italiana Ansa. Diz o Eduardo Castor no texto: “Com a entrada na Internet, o Grupo Estado, através da Agência Estado torna disponível seu noticiário e matérias especiais para os 30 milhões de usuários da rede em todo o mundo. Segundo as previsões, esse número deve chegar a 200 milhões até o final do século.” A Web entrou no século 21 com mais de um bilhão de usuários.

Desde o começo, as capacidades gráficas dos browsers da Web indicavam um imenso potencial para a publicidade e o comércio. Desde 1995, já se previa o surgimento de uma grande plataforma para anúncios digitais com alcance global. Não sabiam de nada, inocentes…

Eduardo Castor diz ainda: “(A Agência Estado) também é a primeira do Brasil a colocar um anúncio na Internet. O anúncio, do Unibanco, pode ser visto em cores e conquistou a glória de se tornar histórico.” O banco já deixou de existir (se integrou ao Itaú), mas a internet se tornou parte do cotidiano de bilhões de pessoas, e muitos sequer imaginam a vida sem ela.

Voltarei a falar sobre o tema na próxima semana.

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(Ilustração: Andrea Kulpas)

estadao 1995