Três notícias da mesma semana explicam a morte trágica da adolescente

Crédito: Ana Castro (Abucandjaba)

30 de outubro de 2017

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulga os novos números oficiais sobre a violência contra a mulher no Brasil, referentes ao ano de 2016. O Anuário (disponível aqui) dá conta de 4.657 mortes violentas de mulheres, o equivalente a um assassinato a cada duas horas.

É um número parecido com o destacado no Mapa da Violência de 2015, que mostra a mesma média nos anos anteriores:

Fonte: Mapa da Violência 2015

Os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública destacam também que apenas 533 assassinatos violentos de mulheres foram classificados como feminicídios, um equivalente a 11% do total de crimes no período.

 

02 de novembro de 2017

O Fórum Econômico Mundial divulga sua pesquisa anual sobre (des)igualdade de gênero. O Brasil ocupa a 90ª posição entre 144 países, caindo 11 posições em relação a 2016.

Importantíssimo destacar que, desde que o início do Levantamento, essa é a primeira vez em que o mundo, como um todo, piora. Estamos mais distantes hoje de atingir a igualdade de gênero do que estávamos antes.

 

06 de novembro de 2017

Na cidade de Alexânia (GO), Misael Olair pula o muro de uma escola e dá 11 tiros em Raphaella Noviski, de 16 anos, que cursava o nono ano do Ensino fundamental. A maioria dos tiros é no rosto, expressão do ódio contra a vítima.

A motivação do crime, premeditado há meses, foi a “rejeição” da garota, que não demonstrou interesse romântico no assassino. Entre aspas mesmo, porque a motivação real é o ódio a mulheres, é a crença de que Raphaella era sua posse e lhe devia alguma coisa.

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Algumas vezes os fatos dispensam explicação. Basta olhar como o Brasil trata suas mulheres para entender que o assassinato de uma estudante de Ensino Fundamental não foi acaso, coincidência e menos ainda um ponto fora da curva. É a regra.

Já disse muitas vezes aqui no blog, vou falar de novo: Números que mostram a dimensão da violência contra a mulher brasileira nós já temos. Não temos é vergonha na cara para mover uma palha e enfrentar o problema de verdade.

Continuamos morrendo enquanto isso.

 

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