Se o assunto é direito das mulheres, 2015 foi um ano curioso. Muito bom em alguns aspectos e igualmente desastroso em outros.

Vejamos: Nossos direitos foram atacados de todas as maneiras possíveis e tivemos que nos segurar para manter o pouco que temos. E o 2016 que se aproxima deve vir com votações tenebrosas, como o Estatuto da Família e o PL5069, que restringe o atendimento à vítimas de estupro. Estamos sentindo na pele como faz falta uma expressiva representação política das mulheres.

Mas não assistimos de camarote as investidas contra nós. Foi inegável o avanço do movimento das mulheres nesse ano que termina: não só em iniciativas virtuais, como a importante campanha do #meuprimeiroassedio, mas também nas ruas. Reivindicamos cada vez mais o espaço público, seja pelo direito de andar em paz sem sermos violentadas, seja para demandar o #ForaCunha. Disseram que foi a “Primavera das mulheres”. O feminismo veio para as rodas de conversa e não dá sinais de que vai embora tão cedo.

Então que em 2016 incomodemos muito mais. Desejo que esse seja o ano das mulheres, com muitas reivindicações atendidas e avanços políticos, econômicos e sociais para nós. Que muitas mulheres sejam eleitas vereadoras e prefeitas nas eleições municipais, que brilhemos e façamos história nas Olimpíadas, que sejamos cada vez mais livres para dizer o que nos incomoda (e mudar essa realidade!).

Desejo que todos aqueles que tentam tolher a liberdade das mulheres e, consequentemente, impedir um mundo mais justo, sintam nossa união e poder. E que estes sejam um número cada vez menor de pessoas, porque meu maior desejo mesmo é que todo mundo consiga expulsar o machismo que foi colocado dentro de nós.

Em 2016, vamos falar de feminismo em alto e bom tom, vamos ocupar cada vez mais espaços e exigir respeito e dignidade.

Que a nossa primavera dê flores o ano inteiro. Feliz 2016, leitoras e leitores.