É Natal, tempo de reunir a família e de celebrar coisas boas. Tempo de celebrar a fraternidade e o amor ao próximo.

Não é tempo de intolerância, de destilar preconceito, de se referir a outro ser humano como se ele fosse menor e não merecesse os mesmos direitos.

É para se deliciar com a ceia e aproveitar uma boa refeição em família. Não é para policiar o que e quanto a sobrinha come, comentar ‘onde ela vai parar desse jeito’ ou se o estado civil é consequência disso.

Não é nem para opinar na vida amorosa de ninguém.

É para lembrar que cada um faz o que bem quer com o próprio corpo. E que se alguém não tem total autonomia sobre isso, alguma coisa está errada.

Para lembrar que a família deveria ser um lugar de acolhimento dos seres humanos, independente de gênero, sexualidade, religião, time de futebol ou qualquer outra preferência.

Que rótulo nenhum dá conta da nossa complexidade e que somos muito mais do que nossa cor, gênero, orientação sexual, profissão.

Que tudo bem as visões políticas serem diferentes, desde que o respeito seja mútuo.

É para celebrar a vida, e não pregar a pena de morte para ‘vagabundo’.

É saber que viver é diferente de estar vivo e que todos deveriam ter acesso às mesmas oportunidades. Saber que não adianta lutar para alguém nascer e depois abandoná-la à própria sorte.

É para lembrar que todo mundo erra. E que todo mundo já fez alguma coisa errada.

Natal é para reunir, não para listar tudo que está errado (segundo seus próprios padrões) em outra pessoa.

Não é para impor regra de conduta em ninguém.

Não é para julgar quem ou com quantos alguém transa (ou não) ao longo do ano.

Não é para dizer que bandido bom é bandido morto.

Ou que quem protesta para ter uma vida melhor é vagabundo.

Ou que alguém não tem as mesmas coisas que você por preguiça.

Ou para ofender pessoas – públicas ou não – com base em seu gênero ou sexualidade.

Ou para ofender pessoas que não têm a mesma religião que a sua e que talvez por isso nem estejam comemorando o Natal. E para respeitar também aqueles que não têm religião nenhuma.

Para lembrar que o que faz sentido para você pode não fazer sentido para outras pessoas.

É para praticar e espalhar a tolerância.

A origem do Natal é celebrar a vida de uma pessoa que carregou uma mensagem de amor e respeito. Uma pessoa que se juntou aos excluídos, rejeitados pelos ‘homens de bem’ de seu tempo.

Se não quiser fazer feio, é bom lembrar disso.

 
Feliz Natal.