Foi com muita honra e gratidão que aceitei o convite para criar este espaço de discussão e reflexões. Você ainda não me conhece, leitor(a), mas estou aqui para falar sobre as relações de gênero na nossa sociedade. E sobre as violências relacionadas a isso, porque ser mulher nessa mesma sociedade é viver cercada de violências. Viver, conviver, sobreviver.

Sem mais delongas, vamos às apresentações: Nana Soares, jornalista, mulher, inquieta, feminista. Sempre fui de me perguntar sobre a esquisitice das coisas e de não ficar calada quando alguma informação abala meu mundo.

E sabe o que abalou meu mundo? Descobrir que os incômodos na experiência de ser mulher não aconteciam só comigo. Descobrir que existe uma coisa maior do que eu agindo para fazer as coisas funcionarem assim. E perceber também que essas coisas não podem e nem devem continuar funcionando desse jeito. Desde então, eu não consigo ficar quieta.

Então estou aqui para contar para você, independente do seu gênero, um pouco mais sobre isso. Sobre o que é ser mulher no meu mundo, sem esquecer que existem tantos outros jeitos de ser mulher. Sobre o que nos une e o que nos diferencia.

Assunto não falta: nós, mulheres, ligeira maioria da população, ainda não ganhamos o mesmo que os homens; somos quase inexistentes em cargos de poder, seja na esfera pública ou privada; não conseguimos sair de casa sem ouvir comentários nada lisonjeiros sobre nosso corpo e nossa vida; somos atacadas literal e simbolicamente todos os dias; somos abusadas ou mortas por pessoas de confiança dentro de nossas casas; nosso corpo é um território disputado e o estupro é arma de guerra desde os tempos mais remotos. E é por isso que sou feminista.

Mas nós mulheres também somos fortes e determinadas. Falamos cada vez mais, apesar das constantes tentativas de nos calarem. Somos muito fortes juntas, e por isso tentam nos separar a todo custo. Lutamos pelos direitos iguais e temos anos de fala acumulados na garganta.

Então vamos falar. É um caminho sem volta. Neste mundo, estamos todos aprendendo e espero que isso seja visível nas discussões que vamos travar. Porque elas existirão. Mas se eu quisesse fugir delas, eu nem teria dito que sou feminista, né?