Parece que todo Dia Internacional da Mulher temos sempre que lembrar ao mundo que a data não existe para ganhar flores ou bombons. Que só há um dia “especial” no ano para a mulher porque todos os outros ainda são dos homens.

Temos sempre que lembrar que precisaram marcar um dia no calendário para afirmar que as mulheres têm direitos e que eles ainda não foram totalmente assegurados.

No 8 de março, temos que lembrar ao mundo que nós também desejaríamos nunca ter precisado desse dia.

Mas acontece que precisamos.

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Precisamos do 8 de março porque ainda há um abismo entre homens e mulheres.

Precisamos do 8 de março porque ainda não há nenhum país do mundo que tenha atingido a igualdade de gênero.

Porque ainda há milhões de garotas que nunca terão o direito de estudar.

E pelo menos um milhão por ano que sofrerão mutilação genital, com consequências para a vida toda.

Porque não somos vistas como donas de nossos corpos e morremos todos os dias com abortos ilegais e inseguros, sendo 99% das mortes nos países em desenvolvimento.

Porque somos negadas os direitos à informação de qualidade, o acesso a contraceptivos e a um tratamento médico digno.

Porque 1 em cada 3 de nós vai sofrer violência física ou sexual ao longo da vida.

 

No Brasil, precisamos comemorar o 8 de março porque 66% das universitárias vai sofrer discriminação por ser mulher.

Porque temos um estupro a cada 11 minutos

Porque temos um assassinato por motivos de gênero a cada 1h30.

Porque sofremos discriminação de algum tipo basicamente em todas as profissões e situações de poder.

Porque trabalhamos mais e ganhamos menos.

 

Mas nós precisamos do 8 de março também para lembrar que fogueira nenhuma fez queimar o nosso desejo de liberdade. Que proibição nenhuma conseguiu calar os gritos presos na garganta.

Precisamos do 8 de março para lembrar que mesmo que a duras penas, resistimos. E que se sobrevivemos a todas as tentativas covardes de silenciamento é porque somos muito mais fortes do que querem nos fazer acreditar.

Resistimos para honrar as que vieram antes e garantiram meus direitos. De votar, de estudar, de ocupar este espaço em um dos maiores jornais do país.

Resistimos porque ainda há muito a ser feito e conquistado.

Resistimos porque temos um dever com as que ainda vão vir.

Resistimos porque um dia a vitória vem.

Resistimos porque desistir não é uma opção.

 

Parabéns a nós, muitas vitórias, saberes e progressos no futuro.

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Alguns eventos da Semana/Mês da Mulher (São Paulo)