lane marinho

Conheça a designer que produz essas belezuras. São apenas 30 pares por mês, feitos à mão com detalhes únicos e sob medida para cada pezinho


Eu digito no Waze o endereço que a assistente me passou e pego o carro em direção a um bairro central de SãoPaulo. Cinza, cheio de carros e gente para todos os lados. Mas logo vejo a parede de azulejos rosa com uma porta verde do galpão onde funciona o ateliê de Lane Marinho. Abro e entro em um mundo com outro ritmo, bem mais tranquilo e colorido, mais silencioso. Parece que o tempo parou um pouquinho. A trilha sonora é uma delícia, Caetano, Novos Baianos, Gal. Lane me recebe com um abraço e um sorriso e logo sentamos no sofá pra conversar. Sem pressa. Ela começa a me mostrar suas criações: sapatos e acessórios feitos à mão, enfeitados com pedrinhas, corais, pecinhas de cerâmica feitas por ela e conchinhas que recolhe quando anda pelas praias da sua terra natal, a Bahia. “Eu amo catar coisinhas que vejo por aí, mas muitas clientes já perceberam e acabam me trazendo suas conchinhas também”, diz. Tudo vira adorno para os poucos pares de sapatos que saem de seu ateliê todo mês (ela faz cerca de 30), montados por ela em uma bancada nos fundos do galpão, e produzidos com a ajuda de uma pequena oficina que contratou quando a demanda começou a aumentar. “Ter esse apoio possibilitou que eu me dedicasse mais à criação de cada par, à decoração, que é única. Eles fazem a base e eu posso brincar em cima.”

 

tereza nó amarelo

O lance desses sapatinhos incríveis  é a combinação de cores e de vários elementos, então nenhum sai exatamente igual ao outro. E nada de preto. É muito vermelho misturado com laranja, pink com marinho, amarelo com vermelho e verde e por aí vai. “Eu não uso preto, gosto de cores”, diz, e vai mostrando as possibilidades de combinação de couro, tela, cordão e pedras. Lane monta cada par de acordo com o gosto da cliente, que escolhe pessoalmente os elementos que irão decorá-lo. E, depois, vai para casa e espera 40 dias para receber o seu. Um bom jeito de exercitar a paciência e ir contra esse mundo imediatista que a gente vive, não? Se isso não é slow fashion, não sei o que é. Acho que a tranquilidade de Lane faz parte do processo e deixa tudo mais verdadeiro. Antes de ter sua própria marca, ela experimentou direitinho o que é a pressa da indústria da moda. Trabalhou anos em grandes marcas de calçados e decidiu que queria fazer seu do seu jeito, com mais atenção, mais delicadeza.  Por isso que esse esse negócio de see now, buy now não tem espaço ali, onde o tempo corre de outro jeito. Entre um sapato e outro, Lane esculpe peças em cerâmica que usa em colares ou acessórios, pinta telas de natureza morta, borda quadrinhos com jeito de Matisse. E tudo entra para o seu processo criativo.

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Essa tranquilidade toda ela carrega também na maneira como se veste, bem natural. No dia da minha visita, Lane estava vestida com calça e camiseta de linho de outra designer slow, a estilista Flavia Aranha, sobre quem já falei aqui. “Eu gosto de sentir a fibra dos tecidos, do linho, da seda, não me importo se tenho que acordar de manhã e passar”. Maquiagem também não faz parte do seu dia a dia (“me acho estranha com o rosto pintado!”). E ela super assume os cabelos cacheados. Tudo natural e coerente com seu jeito de criar, que traz um pouco de natureza para o guarda-roupa.

Colar de cerâmica feito e usado por Lane

Lane Marinho

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O ateliê, no centro de São Paulo

Lane atende com hora marcada, mas é possível conhecer o que ela faz no seu site, que é uma belezura,  cheio de fotos produzidas por ela.

Gostou? Na semana que vem tem mais design autoral pra você conhecer e enriquecer seu guarda-roupas e seu estilo.

Dúvidas e sugestões aqui. Ou no meu insta @fabianacorreasaranha

Até!