Com um Versace deslumbrante na Itália. Crédito Al Drago.The New York Times

Branco chiquérrimo de Brandon Maxwell. Crédito: Al Drago.The New York Times

A última aparição de gala de Michelle Obama me faz sentir saudades, desde já, dessa mulher incrível que elevou pra um nível nunca dantes vestido o papel de primeira-dama. Jackie Kennedy, não dá pra não lembrar, foi um ícone de estilo. Nesse quesito estritamente, muito mais do que Michelle. Ela tinha noção de moda como ninguém, conseguia usar a mesma roupa que todas as outras mulheres de políticos presentes no recinto, um tailleur, e mesmo assim parecer absolutamente diferente e contemporânea. Eternizou um costureiro russo, Oleg Cassini, seu “secretário de estilo”, que a transformou em objeto do desejo fashion de mulheres ao longo de décadas. O tipo de óculos que ela usava, até hoje, é chamado genericamente por seu apelido, Jackie O. Tudo isso posto, ainda voto em Michelle. É atual e consegue ser absolutamente política com um “simples” vestido. Minha admiracão começa pela biografia. Jackie vinha de uma família aristocrática, caçava raposas e cavalgava. Chique de berço. Formada em literatura, quando conheceu John Kennedy começava uma carreira como escritora. Michelle veio de uma família de classe média, virou advogada e era a chefe de Barack quando os dois se conheceram.

Quando se trata de guarda-roupa, Michelle não dá ponto sem nó. Ela sabe que cada prega de um vestido vai ser comentada e usa isso a seu favor. Claro que ela tem uma conselheira amada, Meredith Koop, a quem atribui boa parte de seu sucesso em comunicar por meio das roupas. E nisso também acho ela incrível, pois reconhece o trabalho de sua equipe em vez de simplesmente deixar todo mundo acreditar que simplesmente nasceu com esse dom de se vestir bem. Ela diz que todos devem trabalhar duro para alcançar seus sonhos. E, para apoiar quem está nessa toada, aparece vestindo roupas criadas por uma estudante de moda ou por jovens designers lutando por um lugar ao sol. Ao contrário de Jackie O., que era naturalmente mignon, Michelle não faz o tipo modelo. Nem daria! É um mulherão que assume suas curvas e ajuda outras meninas a gostarem do seu corpo. Ao mesmo tempo em que luta contra a obesidade infantil, sua bandeira.

De Christian Siriano para discursar contra Trump. Crédito: Jim Wilson.The New York Times

Sua última aparição como primeira-dama, na Itália, em um vestido de noite dourado, assinado por Versace, fechava esse legado fashion (mas não só fashion, muito pelo contrário), de um jeito incrível. Ela escolheu um estilista ícone local – algo que quase sempre faz, em sinal de respeito e reconhecimento ao lugar que está visitando. Mas não só isso. Donatella Versace, que desenhou o vestido especialmente para a ocasião, havia afirmado, algumas semanas antes, que fez uma coleção para as passarelas dedicada à liberdade da mulher. À liberdade de lutarmos por nossos ideais e sermos quem quisermos ser.  Uma ideia que Michelle encarna, não importa se esteja de Versace ou J. Crew (sim, ela veste roupas de lojas que tenha preços acessíveis, e suas filhas também, mostrando que é gente como a gente <3).

Bom, nada será como antes depois de Michelle. E Barack olha pra ela com um olhar de admiração que resume o que o resto do mundo está pensando: que homem não gostaria de ter uma mulher como essas ao seu lado?

 

Quer dicas de estilo e inspiração para se vestir? Entra no meu Insta @fabianacorrea_estilo. Ou me escreve: consultoria@fabianacorrea.com.br