Fabiana correa espelho

Não é só ginástica e dieta que ajudam a gente a ficar de bem com nosso corpo. Na verdade, gostar da gente do jeito que é tem a ver com autoestima, não com as medidas. Mas, sim, eu sei, eu sei. As medidas ajudam. Ô, se ajudam. Tem clientes minhas que pararam de se olhar o espelho há tempos. Desde pequenas alguma coisa lá dentro (ou lá fora,  mais provável), dizia que elas não tinham nada bonito ali pra se olhar. Ou às vezes isso acontece depois de um relacionamento abusivo, que faz a pessoa se sentir feia, sem atrativos. Ou isso acontece depois que a mulher têm filhos e o corpo muda. Enfim, “motivos” sempre existem. Mas mexer no guarda-roupa e se vestir para valorizar o corpo ajuda muito a ganhar confiança, a se ver mais bonita no espelho, a ver nosso corpo de outra maneira e a focar no que a gente tem de bonito, não no que nos incomoda, seja barriguinha, culote, pneuzinhos e afins.

Esse é o segundo problema da lista que começou com o post anterior, sobre pessoas que estão se afogando em roupas, em que vou listar os principais problmas que encontro ao atender mulheres. E, como sempre, aqui vai a listinha para ajudar você a se identificar, se for o seu caso, e a resolver de vez essa questão.

1. Escolher roupas nas lojas, ou mesmo vestir-se de manhã, deixa você triste?

2. Quando você sai para comprar, passa horas e horas rodando entre lojas, sem encontrar nada que fique bem?

3. Você vive comparando seu corpo com o de outras pessoas?

4. Você se preocupa muito com o tamanho marcado na etiqueta da roupa, mais do que se ela de fato serve em você?

5. É comum você escolher roupas maiores do que as que realmente precisa?

6. Você procura peças que escondam partes do seu corpo?

7. Você acha que ter ganhado peso atrapalha a sua sexualidade? (Traduzindo: quando está mais “fortinha”, sente menos vontade de transar?)

8. Você guarda suas roupas de quando estava mais magra com a esperança de que um dia voltem a servir e, enquanto isso, deixa de investir em roupas para seu peso atual?

9. Quando se olha no espelho, você busca imediatamente os “defeitos” do seu corpo?

Muita gente se veste pra se esconder mas, o que não sabem, é que poderiam valorizar as partes do corpo que são mais bacanas, que gostam mais, e assim tirar a atenção das pessoas (e delas mesmas) das parte que não curtem. Mas, em vez disso, saem por aí de “burca” ou, pior, se vestem pra ficar feias. Juro que isso existe. E muito. Guarda-roupas lotados de roupas pretas ou escuras, peças bem maiores do que o tamanho real da pessoa, roupas com tecidos elásticos, preparados para ganho de peso eventual, peças que evidenciam exatamente o que a pessoa não gosta em si mesma.

Tudo isso é um jeito de se esconder  do espelho. Tem gente que traz isso desde a infância, quando não é incomum ouvir que não é possível ser amada se você tem quilos a mais (de uma maneira ou de outra). Aí a gente vira adolescente e começa a ver revista, onde de certa forma a mensagem é a mesma. Mulheres magras merecem tudo. Gorduchas nem mesmo aparecem. Para algumas, esse excesso de consciência  vem mais tarde, depois dos 40 ou 50, quando se ganha peso por conta da menopausa, ou após uma gravidez, quando a silhueta muda um pouco. E assim, acabam achando que seu corpo não merece ser olhado, acaba se cobrindo e fugindo do espelho como Snowden da CIA.

Mas, você sabe, tudo nessa vida tem conserto. Uma delas é evitar MUITO ficar olhando blogueira fitness, revista lotada de modelo magérrima, instagram de musas da academia. A não ser que você realmente esteja nesse projeto (ainda assim acho que faz mal pra saúde ficar vendo o povo comer omelete de clara com batata doce e ter como objetivo de vida botar o #bumbumnocoque). Veja, eu acho incrível ter uma meta de entrar em forma. O que não é legal é ficar só no auto-chicotinho enquanto o mundo parece ter barriga sarada.

Aí você me conta que o seu caso é baseado em fatos verídicos. Ou seja, não são só vozes externas ou do passado. Seu descontentamento com o corpo é reforçado pelo que de fato você ouve das pessoas diariamente. Sim, eu sei como é. Quando você chega pro almoço de família  e a primeira coisa que ouve daquela tia é “nossa, como fulana tá cheinha!”. Para esses momentos apenas maravilhosos, a psicóloga Jennifer Baumgartner, autora do livro You are what you Wear, ensina que a gente deve ter a resposta na ponta da língua. Algo delicado, como “quem te perguntou?”. Não, brincadeira. Se você for delicada, diga algo do tipo: “Você acha isso? Que pena”. Ou “achei seu comentário tão desagradável, preferia não ouvir mais esse tipo de coisa, ok?”. Tenho certeza que depois dessa resposta um silêncio imenso se fará presente. E você vai sair tranquilamente pela sala, deixando claro que não vai mais tolerar essas bobagens. Então, desde já, pense nos comentários desagradáveis que ouviu, seja da “amiga”, do marido ou da tia, e pense em uma resposta pra deixar na ponta da língua. E ponha em prática.

E, de uma vez por todas, livre-se daquelas roupas de quando você tinha 10 quilos a menos porque elas estão lá só para te lembrar do passado que não volta mais (ou pode até voltar, se você de fato quiser, mas nada impede que você compre roupas novas quando perder essas curvinhas extras no futuro). De novo, acho o máximo se esforçar para entrar em forma: a gente ganha muito nesse processo. Mas se você não está com esse pique no momento, não fique olhando o dia todo para as provas cabais de que um dia você vestiu 36. Não vale a pena.

Deixe para trás também as roupas-burca. Pense no que você gosta em uma roupa (se é feminina, se é sexy, se é elegante ou moderna etc) e vá às compras, ou escolha no seu closet, as peças que têm a ver com o que você quer ser, não as peças que servem para esconder suas formas apenas. Vista-se com o que de fato valoriza o que você tem de mais bonito, sejam as pernas, as saboneteiras, a curva do quadril, os seios, os ombros, não importa. Tem algo no seu corpo que você gosta com certeza, não tem? Então valorize isso, menina! Está com medo? Aí é que você tem mesmo que fazer essa experiência, ensina Jennifer. monte esse look que te valoriza e então  se “exponha”, ou seja, vá passear no cinema ou no shopping para perder o medo de se mostrar. E você vai perceber que o mundo não vai parar para olhar você só porque mostrou um pouco a mais das coxas ou deixou as costas de fora. Agir como se você tivesse o corpo que gostaria de ter, como por exemplo vestir um biquini sem medo de ser feliz, ajuda a perder o medo de espelhos. Em resumo, pare de se torturar e de odiar seu corpo. E a autoconfiança vai chegar naturalmente.

Quer mais um empurrãozinho pra ganhar autoestima? Clica aqui, sobre amar seu corpo como ele é.

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