Guia básico pra você identificar o que vai durar no seu guarda-roupas. E o que não passa de uma ilusão de verão.

 

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Helena Bordon e sua bomber vintage (tendência sim, mas que nunca saiu de moda). Crédito: blog Helena Bordon

 

Essa semana me pediram para falar sobre arrependimentos fashion. Comecei a pensar no que pode levar as pessoas a se arrepender e resolvi falar de mim para ver se serve de alguma coisa. De fato, quando se trata de moda, ou da vida, eu não costumo me arrepender de muita coisa. O que passou, passou, fiz o que pude. Sou tipo a Edith Piaf, je ne regrette rien. Ou melhor, como o Frank Sinatra, regrets, I’ve had a few. Um deles foi bem no comecinho da minha carreira de consultora, lá por 2007, quando eu ainda atendia pessoas aos finais de semana e trabalhava como editora em uma grande empresa de comunicação. Uma das minhas primeiras clientes tinha uma pequena coleção de bolsinhas, dessas de alça longa e meio quadradinhas que usamos muito agora, mas que haviam sido compradas nos anos 80. E os anos 80, vou te dizer, servem muito bem de referência pra quem quiser fazer um tipo hipster ou fashionista mas, para as pessoas “normais”, que não aderem muito a modismos, eles são muito complicados de reproduzir com alguma dignidade. Pense em Cindy Lauper e você vai entender do que estou falando. Quando eu vi aquele monte de bolsinhas, achei tudo muito desatualizado. E a questão dela, a cliente, era justamente essa, atualizar. Sem dizer que o closet tinha umas 20 portas lotadas, tínhamos que tirar muita coisa. Não hesitei em dizer que sim, ela poderia colocar pra vender no bazar do clube. Pois quem comprou foi alguma felizarda porque, seis meses depois, essas bolsinhas voltaram com tudo. Oh, God!

Acontece que uma releitura nunca é igualzinha ao estilo que lhe deu origem. Ou seja, mesmo que a gente guarde peças maravilhosas para as nossas filhas, elas sempre terão um ar vintage. Se as garotas curtirem essa vibe, ótimo. Mas, como é que a gente sabe o que de fato vai durar, vai voltar, vai combinar com a moda do futuro? Saber, saber, não sabe. Mas tem coisas que podem valer a pena manter. Não como um museu item, mas como um acervo que você vai usando e misturando com o que é novo para criar seu estilo ao longo do tempo. E quem sabe elas duram para que suas filhas também aproveitem. Um guarda-roupa de respeito não se faz do dia para a noite. Eu diria que leva alguns anos de olhar apurado e um certo investimento financeiro. Um casaco Chanel da sua mãe ou da sua avó pode ficar lindo com mommy jeans de barra desfiada que está em alta hoje. A primeira dica para não se arrepender é essa: marcas que produzem peças atemporais e de qualidade dificilmente fazem coisas que duram só uma estação –  têm preços mais altos e atraem gente que quer ter uma roupa para sempre, não apenas por um tempinho. As jaquetas jeans Levi’s nunca saem de moda. E as peças arquitetônicas da Huis Clos, para quem faz o estilo, duram uma eternidade. Casaquetos de tweed Chanel, nem preciso dizer. Você pode enjoar delas, mas elas nunca terão cara de que já passaram. Comprando esse tipo de coisa, não tem como se arrepender nunca, peças Edith Piaf total. Mas, claro, na hora em que você passar o cartão, tem que ter certeza de que aquilo combina muito com o seu estilo. Ou você se arrepende antes mesmo da fatura chegar.

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Eu acho super triste quando alguém (geralmente uma cliente), acaba de comprar alguma coisinha, mal chega em casa, e percebe que aquilo não tem nada a ver com ela, não cai bem, não combina com nada do que já tem. Pra que a gente não se arrependa das nossas compras, recomendo muito que elas sejam planejadas. Todo mundo planeja na hora de comprar carro, de comprar móveis, até de cortar cabelo. Mas, na hora de comprar roupa, tá passando em frente da vitrine, entra, prova, serviu, compra. Claro que tem coisas que eu compro assim, mas somente se é algo absolutamente sensacional, por um preço ótimo e que eu sei que vai valorizar muito o que eu tenho em casa. Tudo isso combinado junto. Caso contrário, não tem porquê. Quando a gente percebe que algo faz falta no closet, um blazer, um vestido de inverno, uma bota, a gente sai às compras. Ou quando precisamos de algo para uma ocasião especial, como um casamento ou uma apresentação em público. E, quando a gente gosta muito de uma peça mais cara, vale muito ficar de olho no site da marca para ver quando começa a liquidação. Você vai amadurecer a ideia por um tempo e, quem sabe, nesse ínterim perceba que não tem nada a ver, Ou confirma que continua amando aquela peça. E, aí sim, compra uma roupa de qualidade incrível – que geralmente duram muito mais do que um verão, e da qual você não vai se arrepender.

Se você quer aderir a uma tendência que dá pra perceber que não vai durar muitos meses, coloque algo no guarda-roupa que traga essa atualização sem custar muito. Um cinto, uma peça de fast fashion (eu não recomendo NADA de fast fashion, mas podem te ajudar a usar o look do momento), uma bijuteria. Assim você não investe muito, a roupa também não dura, e você não se arrepende quando ela disser adeus prematuramente. Tem coisa que a gente já sabe, de antemão, com um pouquinho de olhar apurado, que vai ter vida curta (me cobrem daqui a seis meses se estiver errada). Chinelo estilo Rider (o slide), por exemplo, que já era um horror nos anos 80, não tem como durar agora. Está na moda, eu sei, fazem um estilo, eu sei, mas não acho que tem vida longa. Por outro lado, as Birkenstocks que eu amo e amarei para sempre, nunca deixaram de ter adeptos. Passaram de sapato hiponga a item fashion. E quem usou uma vez sabe que é tão anatômico e confortável que fica difícil tirar do pé. Entende como é outra coisa? Um chinelo de bom couro e sola super bem pensada contra um de plástico.

 

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Os flatforms com solado branco são outros bons exemplos. Estão em absolutamente todos os lugares. Vi tanto que não suporto mais nem olhar numa vitrine a 5 metros de distância. Se a coisa está assim, onipresente, você sabe que vai enjoar logo mais. Minha recomendação: se você comprou há mais de um ano e já usou bastante, beleza. Se não, esqueça. Em vez disso, tente um oxford mais clássico, que não seja tão marcante, e que vai durar muito mais no seu closet.

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Além dessas peças que ficam saturadas, no fundo, no fundo, não é tanto o estilo da roupa que importa quando se trata de gerar arrependimentos, mas o quanto ele combina com o seu. Quando você veste algo e aquilo te representa muito, dificilmente vai sair de moda pra você.

Até a próxima. No regrets!

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