Ter uma referência em nossa profissão é fundamental para aprofundar conhecimentos. Na área de design, o arquiteto Ernst Neufert  não construiu sua história apenas com tijolos e cimento, mas é bem provável que uma infinidade de projetos ao redor do muito tenham sido guiados pelas suas infinitas referências encontradas em a “Arte de Projetar em Arquitetura”, bíblia dos profissionais da área escrita pelo arquiteto alemão, que nasceu em 1900, iniciou sua carreira como pedreiro aos 17 anos, foi um dos primeiros alunos da tradicionalíssima escola Bauhaus e teve relações com ninguém menos que o espanhol Gaudí e o norteamericano Frank Lloyd Wright.

(Anelisa Lopes escreve sempre às terças. Acompanhe alguns de seus projetos e referências no Instagram: @a81_design)

Distâncias mínimas entre móveis e deslocamento de pessoas no local sempre devem ser levados em consideração em um projeto (Foto: Pixabay)

Neste livro, que ficou conhecido apenas como “Neufert” e foi publicado em mais de 18 idiomas, sofrendo inúmeras atualizações ao longo de suas diversas edições, o autor reuniu de forma rica e detalhada os fundamentos, normas e representações de tudo que diz respeito a construções, instalações, circulação de ambientes, medidas e até mobiliário. É um manual usado para referências de espaços externos e internos, que vão desde a altura de uma bancada de pia em um simples banheiro até a distância entre poltronas e ângulo de projeção da imagem em uma sala de cinema.

Para muitos, todas estas informações acabam se tornando uma mera curiosidade, mas no momento de projetar, é um rico subsídio para designers  de interiores e arquitetos poderem definir ergonomia, fluxo de circulação e distribuição de móveis em um ambiente. Para se ter uma ideia, até o caminho feito pelos proprietários de uma residência em sua cozinha – que vai da abertura da geladeira para pegar um alimento, lavá-lo na pia e de lá colocá-lo para cozimento no fogão -, leva em conta fundamentos básicos, como distâncias mínimas e deslocamento das pessoas neste local que, por sinal, na maior parte das vezes, forma o desenho de um triângulo no local.

E a questão que envolve ergonomia e fluxo de pessoas em um espaço vai além e nos encontra diariamente na nossa rotina: abertura da porta do forno na cozinha em relação à parede da frente, distância entre as cadeiras da mesa de jantar e o limite da sala, tamanho e altura da televisão e a correspondente visão do telespectador no sofá, escolha do tipo de porta – tradicional, de correr ou camarão – para que o lavabo não fique intransitável… Detalhes como estes, se bem pensados e projetados, com certeza, tornam o dia a dia mais saudável e agradável.