Um dos principais desafios do designer de interiores é dar personalidade ao seu projeto. E para atingir este resultado, é preciso avaliar individualidade, hábitos e preferências do cliente, além, é claro, de aplicar funcionalidade e ergonomia ao desenho. Alguns elementos, no entanto, são unânimes em sua avaliação estética e ótimos aliados para dar um charme a mais ao ambiente. Confira quais são e se vale a pena integrá-los ao seu projeto.

(Anelisa Lopes escreve sempre às terças. Acompanhe alguns de seus projetos e referências no Instagram: @a81_design)

Cimento queimado

O cimento queimado nada mais é que uma massa feita a partir da mistura de cimento, areia e água, mas precisa ser feito e aplicado por quem entende do assunto, caso contrário, o resultado pode ser desastroso. A opção, além de econômica, deixa o ambiente mais moderno e descolado. E se engana quem pensa que ela se restringe a uma pegada industrial, já que o tom cinza, por ser neutro, pode ser combinado a vários estilos de decoração.

O tecnocimento, por sua vez, é uma evolução documento queimado, resiste a altas temperaturas, não exige rejuntamento e possui diferentes tonalidades. O produto é vendido pronto e possui aplicação específica, fatores que elevam seu preço em comparação ao cimento queimado comum.

Cimento queimado é bem-vindo em qualquer ambiente (foto: arquivo pessoal)

Cobogó

Na década de 1920, um grupo de engenheiros – o português Amadeu Oliveira Coimbra, o alemão Ernesto August Boeckmann e o brasileiro Antônio de Góis – criou o cobogó (cujo nome vem das iniciais dos sobrenomes de seus criadores), que nada mais é que um elemento vazado. O cobogó possui uma infinidade de desenhos, normalmente é de concreto ou cerâmica e permite a entrada de luz solar e ventilação natural. A sombra projetada através dele muda conforme a posição do sol e cria uma atmosfera única.

Cobogó ou elemento vazado (foto: divulgação)

Muxarabi

Assim como o cobogó, o muxarabi tem influência árabe e foi trazido ao Brasil pelos portugueses. O elemento consiste em painéis formados por treliças, normalmente feitas de madeira. O muxarabi pode ser usado na área externa ou interna e também permite iluminação e ventilação naturais. Usado como portas e divisórias entre os cômodos, aquecem o ambiente devido à utilização da madeira, mas com muita sofisticação.

Muxarabi são painéis feitos de treliças, normalmente de madeira, usados na parte interna ou externa (foto: arquivo pessoal)

Boiserie

Sua origem é francesa e já era usada desde o século XVII. A boiserie, ou moldura na parede, é um ótimo recurso para incrementar a decoração e tem sofrido várias transformações ao longos dos séculos. Atualmente, usa-se menos rebuscada e, na maior parte das vezes, forma desenhos quadrados ou retângulos em relevo. A boiserie pode ser de gesso ou poliuretano; basta cortar no formato desejado, colar na parede e pintar, se for o caso. Uma forma de deixá-la ainda mais charmosa é fazer uma composição de quadros nem sua parte interna.

Boiserie ou moldura em relevo para parede (foto: arquivo pessoal)

Tijolo aparente

O tijolo aparente é um recurso que nunca sai de moda e 9 entre 10 clientes o desejam para a sua casa. Em alguns casos, ele é encontrado descascando-se a parede – em casas mais antigas é bastante comum, já que era usado para fazer as paredes estruturais -, mas, na maior parte das vezes, é feito a partir do tijolo aparente vermelho, de estilo inglês ou de demolição. Pode também ser pintado ou receber acabamento de resina, deixando a aparência um pouco menos rústica.

Tijolo aparente pintado de branco (foto: arquivo pessoal)