Nem sempre. Na maioria das vezes, quando olhava no espelho não gostava do que via. Eu me olhava com pensamentos praticamente delirantes, resistentes a todas as demonstrações contrárias, podia ser a opinião do marido, família, pessoas que me cercavam, fotos, espelho, balança, nada adiantava, nunca estava contente. Entretanto, eram delírios que hoje considero leves. Mesmo com tantos anos de luta contra a balança, nunca cheguei a desenvolver transtornos alimentares e distorções de imagem em um nível tão sério como acontece na anorexia ou bulimia, por exemplo. Eu apenas me via como era de fato, gorda.

Na anorexia e na bulimia, as distorções de imagem são muito sérias e os resultados são comportamentos irracionais que influenciam fortemente a relação que a pessoa tem com a comida. São transtornos conhecidos e, normalmente, as pessoas buscam ajuda médica e psicológica até obterem resultados efetivos de melhora.

Porém, outro comportamento semelhante tem aparecido muito em meu consultório e por isso resolvi compartilhar com vocês para que fiquem atentos. São os casos em que a pessoa desconhece seus sintomas e por isso não vê a necessidade de recorrer à ajuda médica e psicológica. São pessoas que se veem mais magras do que são na realidade. Trata-se de um quadro sério porque a pessoa não enxerga que precisa de ajuda, não está atenta aos exageros alimentares, vai comendo e engordando e continua sem perceber, e dessa forma, acaba contraindo as doenças que a obesidade acarreta.

São casos em que a ficha só cai quando a pessoa tem um choque de realidade. Uma de minhas clientes descobriu depois de anos que seu corpo não era exatamente como acreditava ser. Um dia após o banho, sua filha tirou uma foto sua e depois a mostrou: “Olha mamãe tirei uma foto sua”. Ela disse: “Filha esta aí não é a mamãe.”, “Claro que é mãe, eu que tirei”. Foi a partir desse momento que veio a tona a sua realidade. Ela descobriu que estava 20 quilos mais gorda do que imaginava.

Olhando por este lado, parece bobo, não é? Como uma pessoa pôde se permitir chegar a este ponto? Como assim se olha, mas não vê? É difícil imaginar que alguém age desta forma, não é? Entretanto, esse não é um comportamento consciente, na verdade, todos esses transtornos estão ligados ao fato de como nos enxergamos e registramos em nossa mente. As causas emocionais que geram todos esses transtornos são inúmeras, mas o que tenho visto de forma recorrente são casos em que houve registros mentais de desenvolvimento precário da autoestima e amor-próprio, deficiência de carinho e aprovação na infância levando à autocrítica destrutiva, vazio interno e sentimento de abandono.

Claro que cada caso é um caso, porém o mais importante é que através de um trabalho multidisciplinar com endocrinologistas para fazer o acompanhamento metabólico, um psicólogo para trabalhar registros mentais negativos, um nutricionista para fazer a reeducação alimentar e um educador físico para fazer com que esta pessoa se exercite é possível mudar o estilo de vida que tira  essa pessoa do controle, proporcionando-lhe mais equilíbrio e qualidade de vida.

Fica a dica da semana

Abraço.

Andrea Romão

Coach de Emagrecimento