Durante toda a minha vida busquei a resposta para esta pergunta. Sempre me peguei imaginando por que algumas pessoas se exercitavam e se alimentam de forma balanceada e disciplinada sem sofrimento. Por que para essas pessoas era tão fácil parar no primeiro pedaço, ou tão simples dizer: “Não obrigada, estou satisfeita”. Nunca entendi a relação que essas pessoas estabelecem com a comida. Que relação é esta, tão diferente da que eu estabeleci? O que há de diferente na forma como essas pessoas pensam e na forma como eu penso a relação com a comida?

A diferença é exatamente essa, a forma como essas pessoas se relacionam com comida e a minha forma de me relacionar com ela. Hoje entendo que a minha relação era de amor e ódio, dependência, afeto, carinho e acolhimento e que a delas era exatamente o contrário.

Para começar elas agem como se já tivessem nascido com a mente magra. Elas conseguem distinguir a fome da vontade de comer, comem até estarem satisfeitas. Elas não se permitem sofrer com um estômago pesado após um almoço. Elas estão atentas à própria satisfação fisiológica. Elas não se sentem cheias. Comer, para elas, é uma atividade diária de nutrição. Comem para suprir as necessidades do organismo e não as necessidades emocionais.

Elas não pensam: “Não estou com fome, mas vou comer porque posso ter fome mais tarde”. Se tiverem fome o mundo não acabará por isso, elas conseguem se controlar até chegar o momento de se alimentarem. Não há o desespero de ter que comer imediatamente.

Pessoas com a mente magra não passam o dia todo pensando em comida. Se elas têm uma festa ou evento, preocupam-se com o ambiente, com boa conversa e não com o que será servido. Não almoçam pensando no que irão comer no jantar.

As pessoas com a Mente Magra normalmente não têm a comida como única fonte de prazer. Quando alguma coisa não vai bem, buscam uma boa conversa com amigos, relaxam com um bom programa, leem um livro, não buscam a comida como conforto. Elas não usam a comida como merecimento, recompensa por ter tido um dia difícil ou um momento de estresse.

Assim como eu no passado, você deve estar pensando: “que bom seria se eu pensasse e agisse dessa forma, mas já tentei de tudo e isto é impossível”. Na verdade, não é impossível não. Estas atitudes fazem parte modelo mental dessas pessoas. São pessoas que aprenderam durante a vida toda que a comida é só uma forma de alimentar o corpo e não a alma. É por isso que quando fazemos de tudo para emagrecer, temos uma enorme dificuldade, porque nosso modelo mental não está programado para isto. Não estamos programados para nos privar daquilo que tanto gostamos, que nos supre, nos acolhe, nos dá carinho e afeto.

O melhor dessa história é que é possível, sim, virar a chave e mudar nosso modelo mental. Fazendo isso podemos agir de forma construtiva sobre o registro negativo e afastá-lo. Esses registros podem ser modificados com algumas práticas, exige esforço vontade e prática, mas é um começo para sua mudança. Seguem algumas dicas que poderão te ajudar:

  • Reconheça e acredite que pode mudar;
  • Identifique os seus registros negativos e pensamentos sabotadores que te levam a comer de forma errada;
  • Verifique de onde vêm esses registros negativos, faça uma recapitulação de sua vida, certifique-se de onde aprendeu e absorveu estes aprendizados;
  • Guie seus pensamentos e diga para si mesmo que, embora você tenha este comportamento, está tudo bem e você se aceita como de fato é;
  •  Continue guiando seus pensamentos e diga a si mesmo qual comportamento você quer ter para substituir esse comportamento negativo. E todas as vezes que a vontade de ter este comportamento inadequado vier a sua mente, faça a substituição.

Faça isto repetidas vezes com todos os registros negativos que você relacionou e inicie sua mudança. Se sentir que essas estratégias não são suficientes, não tenha medo ou vergonha de procurar a ajuda de um profissional.

Fica a dica.

Abraço

Andrea Romão

Coach de Emagrecimento