Estava decidida a escrever sobre o livro que terminei de ler no sábado à noite, aos prantos. Depois dessa frase, nem preciso dizer que é emocionante, né?!

 

Quando comprei, no fim de janeiro, ele era o best seller #1 do New York Times: “Two by Two”, do renomado Nicholas Sparks que, confesso, ainda não conhecia. “Como?”, andei me perguntando.

 

Li em inglês, mas já tem a tradução para “Só Nós Dois”. É um romance. Mas se fosse pra fazer uma sinopse, eu diria que é uma história surpreendente e envolvente de superação e de reinvenção. Dessas que a gente torce o tempo todo pra tudo dar certo no final. Ri, suspirei e chorei, como se fosse uma história real.

 

Daí, vem a realidade e desaba na nossa frente. Eu não dou conta, me envolvo. Dei plantão no local do desabamento do prédio ocupado por sem-teto, no centro de SP. A cada vez que vejo uma imagem de uma criança pobre, em situação de rua, suspiro. A vida dos meus filhos é tão melhor, sempre penso. Os desabrigados mereciam, pelo menos, ter chances parecidas.

 

Mas não.

 

Essa realidade faz desabar a crença humanista e tão necessária de que as coisas vão melhorar. Desaba a torcida e a expectativa pela superação e pela reinvenção das pessoas, que o livro traz com tanta maestria.

 

Diante dos fatos reais, das imagens e das entrevistas, certamente, não sou a única a me perguntar: “Como essa pessoa, que perdeu tudo, consegue dar um depoimento com tanta tranquilidade?”

 

Tenho descoberto que quando uma história triste se repete na vida, você se transforma de um jeito que parece sofrer menos do que quando acontece pela primeira vez. Essas pessoas miseráveis, que têm como casa um cantinho numa ocupação irregular, com água e luz clandestina, aprendem a lidar com as perdas de um jeito COMPLETAMENTE diferente de nós.

 

E o nosso distanciamento dessa realidade faz com que o sofrimento do outro pareça ser sempre menor. Há quem ache até que um desabamento dessas proporções é culpa de quem vivia naquelas condições. Não é. E não sou eu quem digo. São especialistas brasileiros e internacionais em arquitetura, urbanismo e direitos humanos.

 

Boas histórias, como as do livro, são as que a gente se dá conta de que, apesar das tristezas, há um caminho para a superação. Ainda que haja perdas, a gente fica feliz de ver pessoas dando a volta por cima. A gente torce para que as pessoas tenham chances de superar a tristeza e de encontrar a alegria. Ou você não torce?

 

Mas numa história como a do desabamento, onde está a chance dessas pessoas se reconstruírem? Como as crianças e jovens, que têm as idades dos nossos filhos, podem ter um destino melhor? Como podem crescer e escolher serem de paz, quando sofrem tantas violências desde tão pequenas? Como essa história pode acabar bem?

 

Nós não temos as linhas nas mãos para escrever sozinhos. Mas podemos e devemos participar. Escolher representantes humanos, que se envolvam com esse drama, como nós nos envolvemos com os livros que escolhemos ler, é um caminho.

 

O drama do desabamento não é só dos sem-teto. É a história da cidade que a gente quer. Do país que a gente quer. Das pessoas que a gente quer criar e das oportunidades que a gente quer no final. Final que pode nem ser tão feliz quanto a gente gostaria ou espera. Mas, se for de superação, certamente, será uma história que vai garantir boas emoções. É páreo pra best seller mundial, que dá orgulho pra qualquer um, com certeza.

 

*Hoje não tem vídeo. Mas você é mais que bem vinda ou bem vindo lá no canal do Mãe Sem Receita no YouTube, que tá cheio de reflexões.

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