foto: Pixabay

 

Foi-se o tempo em que ao ouvir a palavra evasão, eu pensava em abandono escolar. Ou em evasão de divisas. O negócio agora é a evasão de privacidade. Nas redes.

 

Nos últimos meses, vi foto de criança sentada no vaso, pelada no banho; mulher dizendo que ia lavar cueca do marido – acredite! — ou contando que a noite promete; noiva a dias do casamento deitada em cima do futuro marido na própria cama pra vender lingerie; casal com filhos deitado na cama do motel – sem as crianças, claro; pais de bebê seminus declarando amor na rede; gente mostrando fotos lindas de filho abandonado ou sem pai…

Tem de tudo e mais um pouco.

 

Tudo pra ganhar curtidas ? Pra causar? Ou pra conquistar engajamento? Talvez simplesmente porque as pessoas achem que é assim que tem de ser. Ou porque acabam se alimentando do retorno do público e depois não conseguem parar.

Pra quem não se vê fazendo isso parece falta de noção.

 

Hoje posso dizer que passei um bom tempo atordoada – acho que essa é a palavra que define bem o sentimento que me ocupou – com o Instagram, pressionada com a ideia de que você precisa ser conhecido ali, se trabalha com a internet. E que a exposição em excesso é quase a regra do jogo. Ou melhor, da rede. Principalmente pra quem não é um pop star ou artista conhecido. Pior: tem muito adolescente que já pensa assim. Onde vamos parar?

 

Nunca vou me esquecer da história de uma amiga jornalista que, como eu, quer lançar um livro. Numa reunião, uma editora perguntou pra ela: “Quantos seguidores você tem?”

Uai, precisa ser popular na internet até para lançar um livro mesmo se a ideia for boa e a história, bem escrita?

 

Apesar dos pesares, preciso dizer que também me divirto. Dou risadas. Rendo assunto com amigas, no trabalho e até com o marido. Tem coisas que entretêm de verdade. Ou que te inspiram e ensinam. Também publico fotos minhas e dos meus filhos. Mas sempre tentando não expor a intimidade. Até porque eles crescem. E depois, de alguma forma, também podem ficar ligados e marcados à história que os pais escrevem publicamente, com as imagens deles, inclusive.

 

Isso tudo sempre me intrigou. Mas pior mesmo foi me dar conta de que eu também estava gastando um tempo precioso com banalidades e detalhes até constrangedores sobre a vida dos outros. Por quê?

Precisei passar por um processo de desintoxicação, que levou um tempo, mas acabou. Ufa!

 

 

* No vídeo, falo um pouquinho mais do meu processo de detox. Tá curto, assista! E, depois, me conte como é a sua relação com as redes sociais.