foto: Pixabay

 

 

”O que é aquilo ali cheio de pontas, mamãe?”, Gabi me pergunta depois de olhar pro alto na ante-sala de um consultório.

“É uma antena pra pegar celular e internet.”

“E se não tivesse isso?”

“Daí nada funcionaria.”

 

 

Assim, quase sem perceber, acabo de encontrar mais um sinal dos novos tempos. Não desse tempo conectado em que a gente tem acesso a quase tudo, num clique. Mas o das novas indagações, o da curiosidade quase sem fim. Ou será que sempre foi assim?

 

 

A conversa poderia ter rendido mais, mas Gabi ficou satisfeita com a resposta e voltou a brincar ao meu lado, enquanto escrevo. Antes de começar, li pra ela boa parte de um livrinho fofo, com um nome que acabo de me dar conta de que tem tudo a ver com esse assunto, “Crianças Curiosas – Os cinco sentidos”, de Adèle Ciboul. 

 

 

Enquanto esperamos a hora, Gabriela brinca em paz, usando meu corpo de estrada para os carrinhos e caminhõezinhos coloridos que encontrou pela sala. 

Pausa para enchê-la de beijinhos, enquanto ela me conta que “o trânsito tá parado”.

Ai, que delícia essa história na ficção.

 

 

O fato é que a admiração e a dose de amor que ela fez brotar em mim neste exato momento têm um porquê específico: a convicção de que tenho uma menina supercuriosa, mas que se satisfaz com poucas respostas, se forem convincentes. Isso é maravilhoso. 

Me permite continuar.

 

Tem mais: ela consegue se entreter sozinha, feliz só de estar na minha companhia. Essas experiências e reações fazem da infância dela uma fase feliz e tranquila pra nós duas.

 

 

Filhos são sempre uma surpresa. Planejamos, mas nunca sabemos como eles virão. E a personalidade de cada um faz muita diferença. Mesmo entre irmãos, há universos bem diferentes nesse tempo de curiosidade aflorada, de indagações constantes e de respostas que a gente tem de estar preparado pra dar.

Afinal, nunca sabemos qual será a próxima pergunta. Que virá.

 

*Se tem curiosidade de sobra, tem argumentação também. Às vezes, até cansa. Mas por que será que as crianças são tão argumentadoras, hein? Vale a pena ver o vídeo.