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O pensamento às vezes dá voltas, motivado por inúmeras conexões, que custam a chegar a uma conclusão sobre algo que você já sabe, mas não consegue expressar. Eu mesma tô aqui, captando ideias e tentando amarrá-las. Essa história de ter um blog me provoca esse exercício: transformar fragmentos de pensamentos em uma linha de raciocínio.

 

Há dias estou pensando e querendo escrever sobre o impacto do mundo digital nas nossas vidas. Com base em experiências próprias, em muita observação e em sessões de análise. Tenho reparado há tempos os efeitos que a busca pelo reconhecimento e pelo sucesso nas redes têm provocado. Além da superexposição, uma certa desconexão com o real e uma preocupação excessiva em dar resultados, em agradar a plateia.

 

É claro que todo mundo gosta do reconhecimento, de receber elogios, de ter retorno positivo ao que faz, de provocar boas sensações, de alcançar sonhos. Estava observando minha filha de quatro anos com umas amiguinhas outro dia, atrás de uma cortina à espera de uma apresentação de circo. Elas brincavam com as pessoas que aguardava o show, como se fossem artistas, na maior alegria.

 

O artista quer a plateia. O escritor, leitores. Em tempos de redes sociais, quem tá na rede quer engajamento. É natural. Mas o mundo digital não tem fronteiras. As cortinas não se fecham. Não tem ponto final. Somos nós que temos de criar limites.

 

Até criadores desse universo têm se assustado. Como Jaron Lanier, uma das vozes mais respeitadas do Vale do Silício. Em entrevista à BBC, ele disse que evita as redes sociais pela mesma razão que evita as drogas. Já o historiador escocês Niall Ferguson, que veio ao Brasil esta semana pra uma palestra, diz que a civilização está se tornando incivilizada ao se tornar abusiva em debates online.

 

Parece que as pessoas estão adoecendo, sem se dar conta. Suspeito que muita gente busque diversão e também saídas, como eu. Mas muitas acabam embarcando nas pressões dos novos tempos e se perdem na falta de limites.

 

*Por falar em pressão, o que mais tem hoje em dia é o tal do “tem que!” Será que ele já te pegou?

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