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Aborto legal

Priscilla de Paula

24/11/2017, 7:46

foto: Pixabay

 

Pouca gente sabe fora da minha família que eu sofri um aborto espontâneo. É estranho, mas muito mais comum do que a gente imagina. Só este ano, duas primas minhas passaram pela mesma situação e eu conheço outros casos entre amigas.

 

Comigo, aconteceu em 2012, entre os dois filhos. Chegamos para o primeiro ultrassom e o médico disse que ainda não dava para escutar o coraçãozinho, antes de seis semanas. Mas eu estava de oito e entendi imediatamente que, naquela altura, as coisas já não iam bem.

 

Raro mesmo foi não ter precisado fazer uma intervenção depois. Por sorte, meu corpo fez todo o trabalho sozinho, me poupando de um procedimento típico e, às vezes, traumático nesses casos. Eu fico pensando: se antes de 6 semanas não tem coração, porque uma mulher, cheia de vida, de planos e de sonhos, tem de ser obrigada a levar adiante uma gravidez de um abuso ou uma gestação que os médicos dizem que o filho vai morrer ao nascer?

 

Por que essa mulher tem de ser obrigada a sentir o corpo se transformar, sem controle? Por que, além de todo o sofrimento psicológico, ela tem de ser obrigada a sentir dores e todo tipo de mal estar? Por que uma vítima de estupro não pode passar por um procedimento seguro, como esses que as minhas primas e amigas passaram por obrigação, para ter o direito de construir uma história sem tantos traumas? Por que?

 

Tem gente que vai dizer que é pecado. Mas se o pecado não é meu, nem seu, que diferença faz alguém pecar, se isso não nos prejudica diretamente? Quem tem o direito de IMPOR ao outro aquilo que acredita ser certo?

 

Tem gente que defende que aborto é crime. Eu só acho que quem quer obrigar uma mulher a ter um filho de um estuprador – pelo motivo que for – deveria assumir, dar nome, criar e AMAR essa criança pro resto da vida! Porque uma vida tem de fazer sentido.

 

E tem mais: proibido ou não, cá entre nós, quem tem dinheiro NUNCA vai levar adiante uma gravidez rejeitada. São os pobres que, de novo, vão continuar colocando gente no mundo, em condições ameaçadoras pra todos nós. Isso não é coisa de Deus.

 

*  Tem vídeo também. Porque quando um filho é desejado e amado, tudo vale a pena.

 

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