foto: Pixabay

 

O ano nem bem começou e, de repente, já chegou o segundo mês. De volta à rotina, os últimos dias por aqui têm sido de adaptação. Minha filha, que acaba de fazer cinco anos, mudou pra escola do irmão.

 

O processo é todo pensado pra que as crianças consigam fazer a transição da melhor forma possível, pra que comecem a construir novos vínculos e se organizem na nova realidade. A longa experiência da escola mostra que, nessa idade, depois de quatro dias, as crianças já estão prontas pra ficarem o turno todo e sem o plantão dos pais por perto. Cá entre nós, nada que uma ligação não te faça chegar feito ambulância de volta. Mesmo vivendo em São Paulo.

 

Na infância, as coisas sempre são mais delicadas. Mas eu estava pensando e me dei conta de que, na verdade, a gente passa a vida toda se adaptando. E, muitas vezes, nem percebe.

 

A primeira adaptação pra todos nós é a chegada ao mundo. Depois de todas as outras que a gente vivencia na infância, crescemos nos adaptando. Tem adaptação à vida fora da casa dos pais, à vida de casado, à chegada dos filhos, às chegadas e partidas, às perdas… Ou, simplesmente, a qualquer outra grande mudança que vira e mexe nos surpreende. E ai de quem não se adapta.

 

Pra mulher, o negócio é ainda mais complexo. Mesmo quando já está previsto. A gente tem de se adaptar na marra àquele desconforto que começa na puberdade e só nós conhecemos; às mudanças radicais no corpo durante a gravidez; à maternidade, mesmo quando ela é muito desejada e, depois, ainda vive se adaptando ao desafio de tentar se realizar em todos os âmbitos – mulher, esposa, mãe, profissional. Vixe, não acaba nunca!

 

E quando chega a velhice, então? Nem sei. Agora me lembrei de uma frase que ouvi no avião de uma senhora, viúva, que viajava ao meu lado para a Espanha, pra comemorar os 80 anos com os três filhos: “Ah, menina, a gente envelhece e fica igual casa velha. Uma hora quebra telha, na outra estoura cano… Você já viu, né?!”

 

Eu nem cheguei à metade disso e ainda não me adaptei ao fato de que, neste ano, vou fazer 40. E olha que eu tenho várias amigas queridas que já passaram de lá. Ou melhor, já passaram dali.

 

Se a gente parar pra pensar e fizer um retrospecto, acho que, de todas, as adaptações da infância parecem ser as menos difíceis. E como elas nos preparam pra vida, hein.

 

Afinal, viver é ou não é a arte de adaptar-se?

 

 

  • Tô feliz de estar de volta ao blog, depois das férias. E tem video de boas vindas. Ou, de bem-vindos de volta, pra quem já conhece e acompanha. Fiquei pensando em fazer algo à lá Jojo Todynho, mas..

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