É evidente que existem benefícios na dieta. O peso diminui, as juntas doem menos, a humanidade adora. O exame de sangue fica lindo, só perdendo no quesito belezura pro próprio corpo mais magro. Os elogios chegam, a pessoa dorme melhor sem roncar, se sente mais audaciosa e empoderada. Há coisa boa nisso de fazer regime, não dá pra negar.

 

Mas isso é só um pedaço da história. Há também riscos seríssimos.

 

Pra começar, e isso é consenso entre médicos, dieta causa stress. Planejar o cardápio, por exemplo, é um saco. Arroz sete grãos, quinoa e coisas assim. Não é algo que tem fácil no Ifood. Na ausência de batata doce, lasanha não substitui. E a privação é irritante. Se é. Ser dono de uma boca sensível e interessada, e não poder presenteá-la alegremente com um pacote de MM deixa qualquer um mordendo a mesa. Então, anotem: dieta leva ao stress, que leva à gastrite – que leva ao enfarte.

 

Outra questão é que dieta deprime. Tanto quanto trabalhar num lugar que você não gosta, tanto quanto um pé na bunda. A gente toma muita pancada na rua, e quando chega na hora de lavar a alma, comendo sorvete com nutella de pijama na cama, não pode. Gula é uma das melhores vinganças da vida; merecemos o agrado que só uma trufa traz. Dieta entristece, deixa deprimido, e se sentir assim não é legal – seja qual for a altura ou peso.

 

Dieta também afasta os amigos. Me explico: qual a primeira coisa que uma pessoa sozinha faz, quando está precisando de um carinho? Abre uma caixa de chocolate. Sem este artifício plenamente justificável, sem esta saída para a carência, o que teremos? Alguém choroso, ligando para os mais próximos, mendigando atenção. Fica pior ainda quando consideramos os programas a se fazer com o dietante. Será uma companhia carente e sóbria, provavelmente triste (ver parágrafo acima), só querendo comer sushi, atrapalhando toda a graça da boemia. Quem aguenta gente assim? Dieta leva à solidão. Ponto.

 

Mais: dieta leva ao consumismo, também. Quando a pessoa emagrece, perde um monte de roupa. Empolgada com os resultados, sai comprando calça nova, camisa nova. Como na maioria das vezes engorda-se tudo de volta, no fim da gangorra temos um desperdício de pano e dinheiro que não cabe mais nessa vida sustentável que precisamos ter. Se todo mundo que emagrecer e engordar comprar roupa, o que acontecerá com nossos recursos naturais, a ovelha que faz o algodão, o insetinho que faz a seda? Dietas vão destruir o planeta.

 

Por fim, dieta provoca elogios. É o grande truque do Demônio do Alface: ele mexe com a vaidade da gente. Cutuca o ego. Alimenta o gumex. O primeiro “nossa, como você emagreceu” provoca um amortecimento do senso crítico, uma empolgação interna, a pessoa se sente poderosa e começa tratar mal os outros. E aparece a vaidade, com seu bafo de enxofre e o casco fendido. Ser vaidoso é tão feio que virou pecado capital – dos mais graves. Quem faz dieta vai pro inferno. Aliás, já se sente lá, em cada porção de tofú que for obrigado a comer.