Claro que o amor, esse troço inexplicável e inesperado, foi inspiração para um monte de aplicativos.

 

Tem o Lulu, que é pra mulherada avaliar os machos. Já foi uma febre. Chegou até a haver um movimento de resposta masculina, que graças a Deus não vingou. Homem dando opinião anônima sobre mulheres, tipo açougue, ia ser isso mesmo: uma carnificina. Tem o Tinder, pro usuário conhecer mais gente,  e tem sua versão homoafetiva – o Grinder. Parece que o Grinder é mais direto ao assunto que o Tinder, se me entendem.

 

E ainda tem o Feice, o Messenger, o Whatsapp, que servem à troca de mensagens – e portanto feitos para o xaveco. Um monte de aplicativo e quetais.

 

Tudo errado. O amor não precisa de Tinder, de Lulu. O amor precisa é de Waze.

 

Pois então vejamos.

 

A gente usa o Waze para chegar em um endereço. Você põe o nome da rua, ele dá o caminho. Já pensou que bom se a gente pudesse pôr um relacionamento no Waze ? Seria gênio saber se os dois, no casal, estão com o mesmo destino em mente. Tem mulher focada em ir direto pro altar, sem parar no posto nem pra fazer xixi – e tem homem que prefere estacionar no namoro de 10 anos mesmo. Aí basta conferir os dois Wazes para ver que tal relacionamento é inviável.

 

Mais: o Waze prevê quanto tempo demora pra chegar no destino. Imagine sua companheira, de calcinha e sutiã, com as duas mãos na cintura olhando o armário. Com o Waze do Amor, dá pra ter noção de quanto isso demora e até encaixar um cochilo enquanto ela se decide. Para as mulheres, o benefício é outro: quanto tempo eu vou ter que ficar aqui neste churrasco, aguentando piada de argentino ? E se o rumo a seguir de repente fica ruim, travado, cheio de ressentimento e mágoa, o Waze indica outras alternativas – incluindo largar a mala com quem você está e até desviar para o mundo gay, se não houver outro caminho.

 

Outra coisa ótima: o Waze avisa as armadilhas à frente. Radar, guarda, buraco na pista, acidente. Num relacionamento, ele daria o toque dos futuros percalços: festa com a presença do ex-namorado, os pais dela vão chegar a qualquer minuto e pegar alguém de cueca – enfim, essas coisas que torpedeiam um casal.

 

Agora, apesar da evidente utilidade, ainda ninguém se propôs ainda a criar o Waze do Amor. Nos relacionamentos, ainda estamos no 99 Táxis: a pessoa estica o dedinho, chamando, e o primeiro disponível encosta.

 

Então a ideia está lançada. Falta agora fazer acontecer. Quem conhece gente boa de programação ? Aquele coreano que criou o Flappy Bird ainda está sem fazer nada.