Eu tenho essa barba em cores vermelha-branca-preta. É espessa; chega a fazer barulho quando cresce. Já meu bigode, infelizmente, padece da Síndrome do Pelourinho. Tem cabelos tão claros que se tornam invisíveis.

 

E talvez por isso eu respeite tanto quem usa bigode – e não compreenda a rejeição que tal exuberância capilar possa causar em algumas mulheres. Sim, pasmem: existem mulheres que não consideram sequer dançar Lionel Richie com um bigodudo, quanto mais beijar. Dizem que é feio, que bigode retém odores, que é o irmão nerd da barba esburacada, que é fora de moda.

 

Sério ? Bigode, fora da moda ?

 

Todos os modernos estão curtindo bigode. Basta olhar para um Fashion Week da vida. É com fio torcido na ponta, é estilo anos oitenta, é Frank Zappa – são vários os desenhos e influências. Estão entre as maiores preferências das modeletes, perdendo só para o alface. Claro que este pessoal da moda é meio esquisito (eles que inventaram a calça saruel), mas antiquados eles não são, não. Longe disso. É povo bonito e se veste bem, quando não estão usando calça de gaúcho.

 

Bigode é eterno. Esteve na batalha de Maratona e permanece bombando nos Baixos Augusta e Gávea. É clássico como uma Mercedes, como Nova Iorque, como uísque na garrafinha de lata. Suco de tomate ? Só se tiver vodca. Bigode é Chuck Norris, Charles Bronson e Thomas Magnum.

 

O sujeito de bigode entra em um boteco pisando duro, encarando geral, sabendo da inveja masculina e da admiração feminina. Os homens pensam: “quisera eu ter a coragem”. As mulheres, “Hmm, bigode. Nunca experimentei”.  Não experimentou – mas deveria: segundo pesquisas, homem de bigode entrega na hora do vamovê.

 

A usuária do homem de bigode jura: quem usa tem pegada. Pegada: aquilo que faz a moça tremer o beicinho e querer de novo. Sujeito assim permanece no serviço até terminar a tarefa. Pega pelo braço, olha no fundo no nervo ótico e diz “calma que vai dar certo”. Não é quantidade, é qualidade. Não é cabelos por toda a cara: é só acima da boca.

 

Sobre esse assunto da higiene na região do bigode, realmente colhi depoimentos de moças se queixando de odores. Sopa é a principal queixa. Há outros cheiros mais específicos que não convém citar; quem me lê que imagine. Aí, desculpa, o problema não é higiene – é nariz entupido. Porque o bigode está logo abaixo do nariz do dono – impossível não notar odores e tomar providências. Bigodudos normalmente são cuidadosos com o que acontece no bigode. Dá mais trabalho que cuidar de barba. Precisa cortar pros fios não entrarem na boca, tem que entortar as pontas se for bigode francês, tem essa questão dos cheiros, etc. É coisa de gente prestimosa.

 

Sujeito que pensa cofiando o bigode ganha a discussão antes dela começar. Bigode é segurança, é Polícia Rodoviária Federal. É estar na beira da pirambeira do ridículo e não se importar. É ser respeitado no brechó. É alugar terno branco sem ser questionado. É tomar chopp aproveitando tudo que a espuma pode oferecer.

 

E se você, leitora (ou leitor gay) ainda reluta em experimentar seu primeiro bigode, resta um último argumento: ele faz mais cosquinha no quengo que a barba. Arrupia mais e dura mais tempo. A Nasa já comprovou em testes. Sugiro o mesmo a você.