O começo todo mundo sabe – então vou resumir. Primeiro, apareceu o Homo habilis, depois veio o erectus, e pela ordem, ergaster, heilderbergensis, floresiencis, neanderthalensis e, finalmente, sapiens. Andaram inclusive atualizando para trás o aparecimento do sapiens; parece que foi 150 mil anos antes do que se pensava. É onde estamos: sapiens. Certo?

 

Mas não pense você que somos os mesmos desde o surgimento. Ah, não. Mudamos muito de 1950 pra cá, por exemplo. E todas as subespécies mais novas ainda estão aí, perambulando, deambulando, para quem quiser estudar.

 

Comecemos pelo Homo brucutus. Era aquele que arrastava a mulher pelo cabelo, que cantava secretária, que não deixava a esposa trabalhar. Fumava às pencas, mantinha um apê pra levar menininhas e consta que só chorou uma vez na vida (Maracanã, 1950). Também era conhecido como Homo canastrus e tinha em Humphrey Bogart um excelente exemplar de macho. Continuam muito ativos pelo mundo, um deles inclusive é presidente dos Estados Unidos.

 

Já no final da década de 50 surgiu o Homo sofridus. Primeiro, veio vestido de pijama azul, fragilizado na figura de Paul Newman. Está no filme “Gata em Teto de Zinco Quente” (Hollywood, 1958). Paul era aparentemente cornudo e passava o tempo todo sofrendo. O público feminino enlouquecia ao ver um sujeito bonito daqueles sofrer tanto. Um pouco depois apareceu o Homo belmondus (França, 1960) –  um tipo feio, esquisito, mas charmoso pra diabo. Pode ser visto ainda hoje no filme “Acossados”, de Godard. No Brasil, veio como Homo jobinianus (Copacabana, 1958). Tocava violão e bebia uísque.

 

Na segunda metade dos anos 60 a coisa degringolou, lógico. Foi quando os humanos começaram a tomar LSD, dando origem ao Homo woodstockus (USA, 1969). Transavam loucamente entre si e preferiam queimar sutiãs a brigar com outras espécies. Ouviam Stones, Led Zeppelin e andavam em Kombis coloridas. Estão expostos na capa do Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.

 

Daí chegam os anos 90 e apareceu o Homo yuppies. Era constrangedor. Ternos de linho amarelos, cabelinho com gumex colorido, consumiam cocaína aos baldes. Tinham muita grana aplicada na bolsa, e por isso achavam que podiam enrolar a manga do blazer impunemente. Por serem ridículos duraram pouco. Deles, nasceu o Homo metrossexualis.

 

O Homo metrossexualis  veio nos anos 2000 e trouxe do yuppies esse cuidado extremo com a aparência – ao ponto de terem a própria masculinidade discutida. Fazem a sobrancelha, passam toneladas de perfume e dormem de bobe no cabelo. O maior exemplo da espécie é Cristiano Ronaldo (Real Madrid, 2017) e é isso que dá raiva: muitos jogam bem futebol.

 

Por fim, mais recentemente, surgiu o Homo lumberssexualis. Passam horas cuidando da barba para que ela fique com aparência descuidada. Vestem basicamente roupas quadriculadas, têm bíceps de lenhador de academia e acasalam principalmente no Tinder.

 

Muitos antropólogos dizem que está para surgir o Homo eticus. Dirige carro elétrico, escova os dentes com um mísero copo de água e só vota no candidato certo, sempre. Ainda não há exemplares suficientes do Homo eticus para um estudo sério.