Do OkCupid, um site desses de arrumar relacionamento, vem a história: sujeito baixinho (1,64) mudou a altura para 1,80 no perfil e as pretendentes choveram em dobro. No Tinder, as moçam calculam a própria altura no melhor salto agulha, somam uns oito centímetros – e usam o número final para filtrar parceiros. Outra pesquisa: noventa por cento das mulheres americanas só sairia com homens mais altos. Não deve ser diferente aqui, mas vamos chutar (com muito boa vontade) que metade das brasileiras também é assim.

 

Até entendo a preferência: um cara mais alto dá segurança, aparenta mais força e proteção. É realmente importante saber que, se precisar, o namorado sai da caverna e caça um Tigre Dente de Sabre pro jantar – coisa que acontece diariamente. Muitas também dizem se sentir melhor abraçadas e acolhidas se o cara for grande. Como grande parte delas não considera sair com homens mais baixos, como nunca experimentaram, a conclusão é que estamos diante do mais cruel preconceito vertical, aquele contra baixinhos.

 

Besteira. Do jeito que as coisas andam, ninguém está em condição de recusar pretendente. Baixinho, altão, louro, sarará, rico, pobre, tudo está valendo – vamos ser sinceros. Na seca, não pode ter muita frescura. É como, hoje, recusar chuveiro dos outros. E se nunca experimentou, como pode dizer que não gosta ?

 

Baixinhos têm pegada. Tem gênio forte. Baixinhos fazem academia, porque se ficarem gordos parecerão pufes. Um baixinho ao lado de uma mulher mais alta só significa uma coisa: confiança. Porque o baixinho não é louco, ele lê e conhece as pesquisas. Não era chamado pro vôlei, no futebol acabava na lateral, só servia pra ginástica olímpica. Nunca recebia correio elegante. Se mesmo com assim ele chega em uma gata mais alta, é sujeito de coragem. Como Romário, Picasso e Sarkozy, os três perto de 1,65 – e colecionadores de mulher bonita. Tem gente que gosta disso, dessa marra misturada com presunção, uma falta de humildade que não combina com a altura. Dá tanta segurança quanto centímetros a mais.

 

Hollywood, por exemplo, diversifica e experimenta. Ninguém sobrevive só de Brad Pitt, concorda? Pense bem: quem recusaria Tom Cruise, Daniel Radcliffe, Gael García Bernal, Robert Downey Jr., Al Pacino e Dustin Hoffman? Claro que são ricos e famosos, e isso ajuda mesmo. Mas vamos lembrar que a nota de corte em Los Angeles é altíssima; pra contratarem um baixinho o cara tem que ser realmente bom. Então, os atores já vêm de berço com esse desafio: já que altura não é meu forte, o que mais tenho a oferecer ?

 

Vou falar o que baixinhos podem oferecer. Perfume. Pode contar com isso, sempre. Baixinhos passam perfume. Dedicação também, claro. Baixinhos suam a tanga pela patroa. Ôpa, senão aparece um jogador de handebol e leva. Uma grande dose de atrevimento, óbvio. Baixinhos são quase argentinos, de tanta ousadia. E, finalmente, bom humor. Veja Jéssica Rabbit, linda e pin-up. Perguntada por que tinha se apaixonado por um baixinho (e coelho), ela respondeu na lata: ele me faz rir.

 

Baixinhos são seres concentrados, com toda a belezura de um cara alto formatada para caber direitinho no colo da amada.