Vocês devem ter visto: o Facebook, sempre atento ao que a humanidade deseja, eliminou a expressão “se sentindo gorda” das marcações. Diz que a frase levava a mulherada pra baixo, que espalhava a deprê – como toda Fat Talk.

 

Só pra esclarecer: Fat Talk é quando uma moça começa a se dizer gorda e feia, a maioria das vezes sem razão nenhuma, levando pro fosso da depressão as mulheres ao redor. Mais ou menos como agarrar na mão de uma amiga e pular, com ela, em cima de uma granada. As Fat Talkers gostam de se pôr para baixo. Folheiam revista até achar um anúncio com a Gisele, pra poder gritar: “isso que é barriga, olha essa panturrilha”. É um fenômeno tipicamente feminino, porque Fat Talk, pra homem, é tipo planejar uma feijoada. Algo positivo e encorajador.

 

Gente, o lugar certo pra ficar falando dos próprios defeitos – reais ou imaginários –  é na terapia. No divã. Psiquiatra gosta de ouvir essas coisas (tem louco pra tudo). Depois comenta com os outros psiquiatras: “não sabe quanto faturei ontem com essa história de Fat Talk ! Vou torrar tudo em vinho !”. Psiquiatra compra muito vinho. Ele põe no carrinho e ainda comenta com a caixa da loja, a Suleyma: vinho é gordice. Gor-di-ce – repete sadicamente, olhando ao redor em busca de mais pacientes.

 

A não ser que a leitora esteja com dinheiro sobrando pro vinho do psi, sugiro outros assuntos pra mesa cazamiga. Por exemplo, a Vacation Talk. Excelente ! Ao invés de falar da macarrão, vamos falar da Itália. Férias, mulherada ! Normalmente as pessoas estão felizes, comprando coisa, tirando selfie na frente do Coliseu. Já é outro astral. E se a pessoa quiser levar uma amiga junto nessa Talk, perfeito: férias sozinho às vezes não tem tanta graça.

 

Outro assunto bom: Movie Talk. Cinema – conversa que leva pro sábado à noite, segue depois pro beijo furtivo, desemboca na carona pra casa e, finalmente, cai no sexo (tomara !). Ou seja: do Movie Talk pro Sex Talk é um pulo. Ao contrário do que muitos pensam, mulheres se divertem à beça com a Sex Talk. Sério. Outro dia estava num bar e, de longe, vi quatro moças conversando sobre sexo. Contavam histórias. Como eu sei que o assunto era esse, se estava em outra mesa ? Pelo desempenho cênico. Elas ilustravam a narrativa com todo o gestual. Até o Peréio – que estava comigo  – ficou rubro.

 

Tem também Money Talk, se o papo for entre mulheres financistas. Gente do mercado adoooora falar de dinheiro. É vício. Só certifiquem-se de que não há civis na mesma mesa. Para quem não trabalha com o vil assunto, falar de CDBs e debêntures é como discutir arqueologia forense em aramaico. Toda Work Talk é assunto chato. Só interessa quem divide o mesmo escritório. A não ser que uma das amigas trabalhe com o George Clooney. Aí, minha filha, conta tudo! Tudo! Kids Talk é outra conversa válida, principalmente entre recém-paridas. Melhora super o astral. Science Talk pode amendrontar os homens, principalmente os fracos. Tem homem que foge de mulher inteligente (eu, não).

 

Vários assuntos, todos melhores que a infame Fat Talk. No fim, o que todo mundo tem que praticar é a Happy Talk. Aquilo que traz sorrisos e melhora o clima. Caprichando na Happy Talk, se dedicando, estudando o assunto, lendo sobre o tema, em breve você vai atingir o nirvana do papo entre amigas: a Bullshit Talk. Ou seja: conversa idiota, vazia, descerebrada. Somente amigas se divertindo, em vez de fuçar costelas aparentes e traumas recônditos nos anúncios de calcinha com a Gisele.