Notícias contam que William Bonner teve de penar para conseguir a atenção de Fátima Bernardes. Segundo fontes quentíssimas – a própria Fátima – ela mal tinha notado o sujeito ali, ao seu  lado na bancada. Mas Bonner se fez perceber. Que voz, que cabelo. Deu certo: é o casal mais badalado da TV brasileira.

 

Com Gleidys e Nando foi a mesma coisa: ele conheceu a moça numa festa e chegou chegando. Ela nem tchum. Nando era um pouco mais novo, fama discutível, DJ na noite – Gleidys tinha mais o que fazer. Foram meses de flores indo e recusas educadas voltando. Mas Nando, bom brasileiro, descendente de Dom Pedro como todos nós, insistiu, fez lobby com as amigas, apareceu com atestado de bons antecedentes (falso) e se deu bem. São casados até hoje; andam de mãos dadas e até saem pra dançar.

 

São milhares de histórias assim, que começam com uma negativa. É a própria definição de conquista: tem de ter uma dificuldade, um dengo necessário para dar sabor à campanha. Se for fácil, parece que é mais descartável. Quando existe empenho no galanteio inicial, supõe-se o mesmo esforço pro relacionamento dar certo nos meses a seguir. É mais ou menos como o Bernadinho faz com seus times: coloca todo mundo pra treinar domingo, seis da manhã. Na hora do jogo de verdade, o atleta se mata atrás da bola; não passou pelo sacrifício da madrugada do domingo pra perder justo aquela jogada.

 

Digo tudo isso pra encorajar vocês, preguiçoso Don Juan, acomodada Cleópatra, a insistirem. O não faz parte da cerimônia de acasalamento. Vocês têm de estar preparados. Persistir valoriza; costuma render grandes progressos – respeitando-se a educação, claro, pra insistência não render tapa nem processo penal.

 

E há riscos em desistir logo no primeiro approach. Um deles: ir atrás de outro objetivo mais fácil. O famoso plano B. E realmente não faltam alternativas. Hoje, basta chacoalhar a árvore que caem cem mil aspirantes. Aí, pode desistir da pessoa preferida. Ela nota quando você sai atrás de gente mais acessível. Pessoas Plano A são desejadas (não é só você que tem bom gosto). Podem escolher entre pretendentes. Insistência, bom humor e sangue nozóio são notas de corte – mais do que covinha no rosto. Buscar possibilidades muito rápido é, portanto, perder a predileta.

 

Mais ainda: o covarde pode simplesmente ir encher a cara depois da recusa inicial. É um dos jeitos de lidar com a frustração e com a vergonha do não. Só que fica pior ainda. Porque, uma vez de fogo, o xavequeiro amador perde critério e compostura. E pode tomar decisões discutíveis – entre elas, voltar à carga na favorita, agora armado da nova coragem etílica. O alvo prioritário já não quis a pessoa sóbria – o que dirá assim, tropeçando e com bolhas de baba no canto da boca. Se o interessado precisa de doping pra ter valentia, melhor desencanar e ir de cara no que estiver mais à mão.

 

É isso que vocês querem, medroso Casanova, indolente Sherazade? Querem voltar de novo pra casa cheirando a Mojito com Red Bull, chupões no pescoço, sem sequer lembrar o nome do Plano B?

 

Se quantidade é mesmo o desejo, então o caminho está certo. A noite está pegada mesmo, e vocês vão continuar entuchando quase-amores no porta-luvas. Agora, se o preguiçoso Hugh Hefner ou a desanimada Messalina quiserem realmente criar algo importante, insistam. Teimem – com gentileza e inteligência. Digam ao povo que ficam. É assim que a ciência dá saltos; é assim que nascem paixões melhores.