Como é interessante o comportamento do ser humano, sempre buscando a felicidade e o bem-estar, mas na maioria das vezes permanece correndo em círculos. Quando chegam à terapia estão pós-graduados em explicações racionais que servem como suporte na tentativa de manterem a saúde mental, pelo menos temporariamente.

Somos seres muito complexos nos armamos habilmente para nos mantermos fixados em padrões repetitivos na tentativa vã de resolver conflitos internos e não resolvidos de nossa infância. Vamos adquirindo diversas crenças durante nosso desenvolvimento, herdando uma série de verdades que determinam nosso comportamento e mesmo trazendo a consciência do quanto são limitantes, não conseguimos nos desvincular das mesmas.

E quando o assunto é a perda de peso e autoimagem, a situação é ainda mais complexa, pois as pessoas se agarram à ideia de que são seres passivos nesse processo de ganho de peso, com isso colocando fora a responsabilidade mágica de mudarem o estilo de vida. Buscam, na verdade, uma forma de amenizar o sofrimento, mas poucas buscam ajuda real para curarem a si mesmas. Isso mesmo, buscam a libertação do sofrimento, mas poucos se dispõem a assumir que é preciso olhar para o seu redor e para dentro de si mesmo, para assim se instrumentalizarem de ferramentas para construir um novo eu.

Isso porque, como falei anteriormente, o apego às crenças é muito forte e impede com que as pessoas se conscientizem do quanto seu desejo é contraditório: comer e emagrecer, ter saúde e ser sedentário, ter um corpo real e o ideal do imaginário. Situações contraditórias que levam a se autossabotarem continuadamente, levando cada vez mais a vontade de abandonarem-se. O apego aos hábitos que são altamente destrutivos são os principais indicadores do quanto é preciso mudar interiormente, pois mente e corpo formam uma unidade inseparável.

Permita-se nesse momento olhar com carinho essa questão e reflita: como você pode abrir mão da comida se ela serve como um excelente amortecedor de suas dores internas? Se comer cumpre essa função de forma tão eficiente fica claro a contradição interna que impede a perda de peso, ou melhor, a busca por um corpo saudável.

Uma parte de você quer continuar nesse lugar, recebendo a gratificação constante que a comida proporciona, mesmo que seja momentaneamente. É preciso se dar conta de que ninguém ou nem uma técnica terá condição de mudar sua realidade se você ainda estiver preso a esse desejo, que de alguma forma é também uma autoagressão.

Quando se toma consciência desse funcionamento mental, aí sim iniciam-se as mudanças que muitas vezes são dolorosas e difíceis, já que o corpo se transformou e apresenta alterações físicas importantes.

É preciso abandonar hábitos, crenças e comportamentos para permitir o crescimento e amadurecimento de habilidades internas que promoverão mudanças necessárias para a mudança real em seu estilo de vida.