Pode parecer engraçado para algumas pessoas, mas aquele amigo que nunca come nas festas, rejeita vários alimentos por ter algum ingrediente que não suporta nem o cheiro, pode ser na verdade um seletivo alimentar. Não entenda como seletivo alguém enjoado que escolhe o que comer por simples chatice, pois há muitos fatores que contribuem para uma pessoa rejeitar um grande número de alimentos.

A origem desse transtorno alimentar normalmente se dá na infância, pode ser decorrente de experiências traumáticas como engasgar com algum alimento. Já existem depoimentos de pacientes que presenciaram ou ouviram histórias de pessoas que quase morreram em função de se engasgarem com algum alimento e que após esse fato diminuíram drasticamente ou pararam de comer certas comidas que já faziam parte de seu repertório.

Também já sabemos, que algumas crianças apresentam reações aversivas a alguns alimentos, pois são mais sensíveis ao sabor, ao cheiro, à textura. Podem engasgar e até vomitar, sendo importante que não force a criança a experimentar novamente o alimento aversivo nesse momento, reintroduzindo de forma gradativa, podendo até preparar de formas diferentes.

Como as crianças são espertas, logo percebem que podem utilizar a comida para manipular seus pais, assim conseguem comer somente o que é muito gostoso, macio e de fácil deglutição. Nesse momento é preciso entender o que seu filho está querendo dizer com esse comportamento e consequentemente os pais, ou quem os alimenta, deve mudar a postura, não punindo, mas colocando limites de horários aos alimentos oferecidos.

Esse é um tema muito complexo, pois há muitas outras variáveis que levam ao comer seletivo, mas é importante compreender um pouco sobre os aspectos emocionais e orgânicos que determinam o transtorno alimentar.

Mas quando adultos acabam sentindo-se constrangidos por não comerem alimentos que normalmente as pessoas ao seu redor consomem, criando até um mal-estar por chamarem a atenção de todos pelas suas preferências alimentares diferenciadas, ou melhor, restritas. São frequentemente chamados de enjoados, chatos, metidos, por não compartilharem das mesmas escolhas, causando com isso um sentimento de inadequação, levando muitas vezes a uma recusa de convites para evitar a exposição.

Porém, esse tipo de comportamento pode ser melhorado através de exposições frequentes aos alimentos recusados, preparados de diferentes formas, propondo-se a experimentar pelo menos dez vezes, para assim poder introduzir à rotina alimentar. Muitas vezes não se identifica o que impede uma pessoa adulta de comer ou provar algo, e muitos nem sequer conseguem imaginar-se comendo determinados alimentos, já sentindo repugnância, nojo e ânsia só de pensar na possibilidade.

A hipnose também oferece técnicas específicas que auxiliam os seletivos a experimentarem novos alimentos com sucesso, aumentando assim o repertório alimentar. Isso porque a hipnose oportuniza a ressignificação das experiências alimentares que o sujeito desenvolveu no decorrer de sua vida.