Filhos

Venha cá, meu filho, e preencha o meu vazio

Por lucianakotaka

09/04/2017, 06h00

   

Pequenos cuidados podem favorecer que o relacionamento com os filhos seja saudável

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Quando nasce um bebê, imediatamente nossa vida se torna um caos. Esse pequeno irá mudar toda a nossa rotina, não teremos tão cedo uma boa noite de sono a não ser que eles cooperem e adormeçam como os anjos que são.

É um processo de aprendizagem, afinal filho vem sem manual, cada bebê tem características únicas, sendo impossível sabermos a melhor forma de agir sempre que houver uma situação de estresse.

Mas passaremos também por muitos momentos lindos, as primeiras gargalhadas, os primeiros passos, assim como noites verificando a febre e muitas vezes enlouquecendo de preocupação. Ainda tem o primeiro dia na escola, a primeira apresentação de teatro, o dia que nosso lindo bebê, que agora já está crescidinho, irá dormir na casa do coleguinha de sala de aula.

São muitas as situações que exigem dos pais coerência, tranquilidade, limites e muita superação, para deixar com que os filhos construam outras redes de relacionamentos, confrontando muitos dos ensinamentos passados pela família.

Muita dedicação, muito amor, e de repente, algo muda drasticamente na vida de alguns pais. Um dos parceiros vem a falecer, ou mesmo, o casamento esfriou, restando o filho que é capaz de preencher de alguma forma o imenso vazio de carência que vai se abrindo, dia após dia.

Parece óbvio que nossos filhos não devem e não podem ocupar esse lugar, mas a verdade é que muitas pessoas acabam tendo atitudes que fazem com que os filhos fiquem presos a essa demanda, se tornando dependentes dos mesmos. Podemos facilmente identificar relações de dependência afetiva, é só nos lembrarmos do vizinho que nunca casou e continua morando com a mãe, ou aquela prima que até chegou a namorar, mas a mãe sempre estava perto arrumando uma forma de desqualificar os candidatos, até que passaram anos e a prima ficou sozinha cuidando da mãe.

É importante estarmos atentos e identificar quando ultrapassamos os limites que impedem de nossos filhos voarem, de criarem vínculos, de realizarem escolhas, mesmo que elas os levem para longe de nós.

Quando o ninho fica vazio é de nossa responsabilidade buscar meios de nos mantermos ocupados e prestativos, para que as amizades, os grupos e até trabalhos voluntários possam preencher o vazio deixado pelos filhos que voaram. Preencher a vida com outras formas de afetos, até mesmo um novo relacionamento.

Mas se por acaso você não estiver percebendo que está fazendo tudo errado, ainda assim espero que ao chamar seu filho para ocupar o lugar da sua carência, o mesmo possa sinalizar dizendo que não pode, mas continuará te amando para sempre.

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