O que mais achamos na internet são orientações sobre como emagrecer, dietas variadas e casos de sucesso com algum emagrecedor milagroso. Iniciamos a semana empolgados, chegamos à faculdade e/ou ao trabalho já anunciando que agora dará certo, que emagreceremos e chegaremos finalmente no peso dos sonhos.

Tudo aparentemente muito simples. Mas o ciclo da dieta e reganho de peso recomeça logo na sequência, e mais uma vez a busca por outra dieta milagrosa se inicia.

Em algum momento nos deparamos com o fantasma da compulsão alimentar, esse monstrinho que não nos permite emagrecer como tanto sonhamos. Mas tudo isso acontece, porque não paramos para nos conhecermos um pouco mais, não nos permitindo identificar o que nos assusta dia após dia.

Ao acordarmos pela manhã já somos assombrados pelo medo da compulsão, pois na noite anterior prometemos a nós mesmos que nos dias seguintes faremos tudo diferente, que iremos dar conta de comer tudo com parcimônia, mas infelizmente no decorrer do dia escorregamos e tornamos a entrar no círculo vicioso do comer e sentir culpa.

Mas o que será que poderia acontecer caso permitíssemos ampliar o olhar, entender o que estamos buscando na comida que nunca traz a satisfação plena?  A compulsão alimentar é um movimento que visa deixar claro uma urgência interna de realizar algo, mostrando que não estamos felizes e nem satisfeitos e a comida preenche, mesmo que seja momentaneamente, essa lacuna vazia.

Talvez pudéssemos pensar em como comer poderia funcionar como um mecanismo de esquecimento, o não poder lidar com algo que dói, do qual para ser solucionado exige atitudes que não estamos preparados para colocar em ação.

Vamos deixar de focar na dieta, no fechar a boca, pois é necessário que se resolva a raiz do problema, no que na verdade provoca a compulsão, para assim resolver de forma definitiva os gatilhos emocionais que desencadeiam o comer transtornado.