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Uma das queixas mais frequentes que recebo em consultório é a dificuldade que as mulheres têm apresentado em  arrumar um namorado. Vejo que essa é uma queixa real, convivo com muitas pessoas em minha vida privada que também não conseguem um amor estável, sendo essa situação geradora de muita tristeza e geradora de baixa autoestima.

Esses dias uma leitora solicitou um texto sobre o assunto e fiquei realmente pensativa por dias, afinal confesso que esse assunto é um tanto nebuloso para mim, visto que são várias as hipóteses que podem estar interferindo nas relações afetivas atualmente.

A principal questão que levanto é como a ansiedade interfere nessa química do amor. Estamos tão carentes de carinho que acabamos projetando no outro a esperança de que ele pode ser sim nosso salvador. O cara que pode nos complementar, dar vida, cor aos nossos dias, assim colocamos no outro uma carga muito pesada para se carregar, quando na verdade nosso papel é somar, trocar e acrescentar alegria e companheirismo.

Imaginem a seguinte situação: Você conhece um rapaz que tem medo de se relacionar, situação bem frequente nos dias atuais, aí você joga em cima dele uma baita expectativa, se você está acima dos trinta essa carga pode ser ainda maior, visto que muitas estão preocupadas com a ideia de terem filhos. O cara fará o quê? Claro que o risco de cair fora é muito alto, até porque querem conhecer alguém devagar e ainda precisam aprender a lidar com os próprios medos, desejos e experiências afetivas.

Outra questão a ser levantada é o quanto se está realmente disponível para se relacionar com outra pessoa. Idealizamos muito os relacionamentos, estamos mais criteriosos nas escolhas que fazemos complicando muito para se achar alguém que encaixe dentro desses padrões que impomos. Isso ocorre muito, mesmo com quem já tem um parceiro, iniciam um namoro ou um casamento já sabendo com quem se está, mas reclamando de características e comportamentos das quais já se conhecia desde o início. Aqui já fica claro o quanto está difícil lidar com as diferenças, aceitar o que não faz parte de nosso contexto de vida.

Desta forma, penso que é preciso rever os comportamentos, entender o que é seu e o que é do outro, seus medos, desejos e expectativas. Dar oportunidade para pessoas diferentes das quais sempre imaginou, isso pode te surpreender e mostrar o quanto estava mirando em caras errados, das quais dificilmente poderia te dar um retorno.

Se isso te serve de conselho, posso afirmar que já passei por isso e surpresa, me encantei com alguém muito diferente dos padrões que escolhia, hoje posso afirmar que o encanto do amor reside simplesmente em deixarmos aberto para acontecer, sem tentar achar o alvo sistematicamente.

Permita-se viver, fique aberta ao novo e aguarde, você pode se surpreender.