Há poucos dias recebi a solicitação de uma mãe para que eu realizasse uma hipnose com a filha para que a mesma não engordasse no período de festas de fim de ano. Expliquei como a técnica funciona e que a eficácia da mesma depende de uma série de fatores, que como profissional realizo atendimentos que tenham suporte emocional para um bom resultado. Desta forma, não pude atender a demanda da mesma.

A questão é pensar o que vem embutido nesse pedido de socorro, justamente em um período do ano em que a comida se faz presente e normalmente as pessoas perdem o controle sobre a quantidade do que consomem. É bem justificável a preocupação, não concordam?

Se eu escutar esse pedido puramente como um cuidado com a filha, tudo bem, mas não vejo só isso. Enxergo lá na frente, daqui há uns anos, as consequências desse momento em que o controle alimentar de uma criança se faz presente, em festas onde a alegria, a descontração, as risadas e a comida são partes de um ritual importante.

Como será para essa criança sentir vontade de comer? Precisar controlar o desejo de comer o que outras pessoas estiverem comendo? E se ouvir algum comentário sobre o seu corpo, o seu peso?

O que vocês não imaginam é a quantidade de recordações negativas que os pacientes trazem ao consultório, memórias carregadas de dor e que funcionaram como disparadores de transtornos alimentares, como anorexia, bulimia e compulsão alimentar.

Diante desse quadro, vejo a necessidade de orientações simples e que são mais eficientes a médio e longo prazo, do que uma medida pontual que são mais doloridas.

A principal recomendação é cortar o assunto regime, dieta, balança e perda de peso das conversas, pois a atenção ao tema pode resultar em vários comportamentos negativos em relação à autoimagem para quem convive junto.

Na sequência, os pais são os responsáveis por oferecer comidas saudáveis aos filhos, mas vejo que muitos que buscam ajuda não estão dispostos a mudar a rotina alimentar, muitos não têm tempo ou não gostam de cozinhar, e acabam recorrendo a comidas práticas e prontas, mesmo que essas levem ao aumento de peso. Então, será necessário mudar toda a rotina alimentar da família.

E como anda a atividade física dos filhos? Vale levar o cachorro para passear, jogar bola, andar de bike, colocar em uma aula de natação, mas a orientação não é somente para os filhos, e sim também para os pais, que são os maiores exemplos dos mesmos.

Mas faço um alerta, cortar guloseimas não é a melhor saída, nem mesmo negociar as mesmas, e sim permitir que faça parte de todo contexto, sem excesso e sem pressão. Quando tiramos o foco excessivo de determinadas comidas, muda o desejo, começa a fazer parte da rotina e chega a perder a graça consumir os mesmos.

Resumindo, comer e ser feliz com a comida é simples, só é preciso uma pitada de equilíbrio, amorosidade e bom senso. Deixe as crianças curtirem o fim de ano, as avós prepararem aquele bolo delicioso, depois é só iniciar uma rotina mais saudável e tudo vai se encaixando.

Se divirtam!