oki

Toda semana recebo pacientes novos em busca de uma solução para obesidade, o histórico geralmente é o mesmo, composto de dietas, medicações e tentativas frustradas de perda de peso desde a infância e/ou adolescência.

A tristeza, a sensação de impotência e baixa autoestima são sinais marcantes dessa luta ingrata que se trava com o peso que se carrega, não somente no corpo, mas na alma. Marcas essas que muitas vezes estão presentes desde a infância, gerando mal-estar no ambiente escolar, na família e em atividades diversas das quais a exclusão foi determinada pelo peso corporal.

Esse efeito ioiô vai acompanhando o crescimento, adolescência e chega à vida adulta sempre assombrando de tempos em tempos ou de forma contínua. A história de dor e baixa autoestima são muito mais fortes do que a força para mudar a realidade, chegam em busca de ajuda exaustos e encontram a realidade: mudar exige muito comprometimento, coragem e disposição.

Mudar exige olhar para a vida de uma forma geral, entender o que impede de obter resultados tão almejados, a que serviço está o peso. Claro que parece complexo e é na verdade. Não posso dizer que é uma tarefa fácil, até porque a obesidade hoje é considerada uma pandemia, é de difícil tratamento e já sabemos que nem medicações e cirurgias são realmente efetivas na manutenção do peso saudável.

Quando iniciamos o tratamento fica claro para o paciente o quanto precisa mudar padrões em sua vida, resolver questões que muitas vezes está pegando fogo, trazendo uma série de insatisfações. Não dá para perder peso se estamos com vários outros conflitos, é preciso limpar, organizar a casa, aprender a sentir prazer em outras situações que não envolvem a comida.

Permita-se a olhar para si mesmo de forma mais profunda, tirar os problemas debaixo do tapete e entender porque estão ali, o que necessita ser aprendido, para assim mudar a relação com o seu corpo e com a forma de se alimentar.

Falar em obesidade e emagrecimento sempre será muito complexo do ponto de vista psicológico, pois cada pessoa é única e tem uma relação com a comida, consigo mesmo e com a vida.