Esse tema me lembra várias histórias que ouvimos por aí de pessoas que são dominadas pelos seus parceiros, que reclamam o tempo todo e para todos que encontram a sua frente, mas na hora de tomarem uma atitude, permanecem no lugar da vítima infeliz.

Pessoas com esse perfil se colocam em posição de inferioridade, por mais que se tente ajudar a encontrarem uma saída para que possam conquistar a liberdade e a felicidade, habilmente terão respostas na ponta da língua para justificarem sua escolha de permanecerem nesses relacionamentos, deixando as pessoas ao seu entorno com a sensação de impotência.

O interessante é que passamos anos julgando o parceiro ditador e esquecemos de que cada um é responsável por suas escolhas. Como é que tem pessoas que jogam tudo para o alto e saem com nada no bolso para buscarem a felicidade e outros que mesmo tendo condições escolhem permanecer nesse lugar de tanto sofrimento?

Muitos dirão que são masoquistas e em parte estão corretos, mas talvez possamos pensar mais amplamente, será que não se trata de relações sadomasoquistas?

A verdade é que essas vítimas têm uma característica muito interessante que passa desapercebida pela maioria das pessoas e inclusive por elas mesmas, que é a desqualificação do parceiro. Desta forma, enquanto um machuca claramente o outro frente às pessoas, utiliza-se de formas mais sutis para machucar, só que usando a desqualificação.

Espero que agora comece a cair as fichas e lembre de quantos momentos ouviu essas pobres vítimas falando horrores das pessoas das quais convivem.

Nunca me esqueço de um caso em que a pessoa colocava pessoas da própria família, das quais jurava amar, jogando umas contra as outras, utilizando o terceiro ditador para humilhá-las em diversas situações, mas de forma alguma sendo capaz de reconhecer o jogo ardiloso que tecia continuadamente.

Na verdade esse jogo é muito doentio, como toda patologia que envolve o emocional fica claro que esses desajustes ocorreram lá na primeira infância, perpetuando comportamentos inconscientes que afetam a qualidade de vida em geral e a de todos ao seu redor.

Não há culpados, e sim vítimas, onde qualquer um dos lados foi precocemente afetado, levando para a vida adulta comportamentos desajustados que visam na proteção do eu, buscando um equilíbrio interno para dar conta do externo e vice-versa.

Talvez agora fique mais fácil olhar para esses relacionamentos sem apontar e designar um culpado, mas sim ampliar o olhar e entender que todo relacionamento funciona com uma certa harmonia, um se encaixa no outro, como chave e fechadura.

Afinal, quem somos nós para escolhermos o destino do outro e o que é certo e errado, não é mesmo? No texto, o perfil do qual escrevo se refere às pessoas que vivem o vitimismo, como se o outro fosse sempre o grande culpado, não assumindo a responsabilidade por ser feliz. Mas o mais importante, é entender que o controle nem sempre vem do ditador, como costumeiramente interpretamos, e sim de quem se coloca na posição de passividade.