Sabemos o quanto a cultura do corpo magro vem afetando milhares de pessoas no mundo, só não sabemos a extensão do sofrimento e o peso que está embutido na busca do corpo ideal. Isso porque é impossível mensurar esses dados, ainda mais quando vivemos o conflito entre o saudável e o patológico, perdendo o limite de quando é necessário parar. O saudável vem sendo deturpado e a nova onda de dietas pregam que quanto mais saudável, melhor.

Não é bem assim. Quanto mais equilíbrio melhor. Mas parece que perdemos esse feeling e quando nos damos conta, estamos totalmente imersos nos conceitos que estão na moda do momento. A questão se torna mais séria a medida que se utiliza os ponteiros da balança como parâmetro para sentir-se feliz. Se os ponteiros descem, fica feliz. Se os ponteiros sobem, fica triste. Claro que quem está em busca de perder uns quilinhos excedentes, fica frustrado quando não vê um resultado que empolga, mas é muito diferente quando se coloca o sentimento de bem-estar e felicidade atrelado somente à perda de peso.

Talvez seja este exatamente o momento de se questionar o quanto está se punindo exigindo de si mesmo um comportamento e resultados muitas vezes irreais, ou mesmo impossíveis de se alcançar. Ao eleger a balança como o juiz que baterá o martelo final, está ignorando todos os fatores reais envolvidos no processo de perda de peso como, idade, funcionamento do metabolismo, medicações utilizadas, genética, histórico de dietas e peso dos últimos anos.

Ignorar as evidências reais que impedem ou dificultam esse processo só irá promover mais frustração e sensação de impotência, e o que seria um processo adequado e saudável pela busca do peso ideal para se ter saúde, torna-se um fardo.

Nesse momento, o interessante é buscar dentro de você quem é esse eu que deseja tanto emagrecer e que ignora todos os outros aspectos que fazem parte da vida e que são disparadores de prazer e felicidade. Será que é você que busca ou é a criança carente de amor e atenção? Ou mesmo optar por esse caminho com o objetivo inconsciente, porém muitas vezes consciente, para camuflar situações que precisariam ser olhadas e resolvidas, mas que por algum motivo não se sente preparado para confrontar.

Viu como é muito mais fácil focar no externo, fazer mil dietas e culpar o corpo pela insatisfação com a vida? Uma pena que uma hora isso terá que ter um fim, só espero que dê tempo de recuperar os vínculos familiares, de amizades ou até o amor de sua vida.