Gosto muito de filmes em que aparecem cenas de festas onde se usam fantasias e máscaras, é sempre muito colorido, instigante e ao mesmo tempo causa uma inquietude interna. Sempre fico ansiosa por alguma cena bem dramática e empolgante.

Mas a verdade é que vivemos como em um baile de máscaras, cada personagem utilizando a que melhor lhe cabe, a que promove uma sensação de bem-estar e proteção.

Vamos voltar a uma cena de festa, sempre terá em nossa turma o que fica com todas e que as mocinhas ficam apaixonadas, não é mesmo? Sabemos que por trás de toda essa pose de galã tem um carinha que pode ser bem carentão, louco por uma princesa que tome seu coração. E, assim como o galã carente que tem medo de mostrar o seu lado que necessita de muito amor, vamos identificando várias outras máscaras que usamos como forma de proteção.

Temos várias opções, como o bonzinho, o orgulhoso, o poderoso, o briguento, o coitadinho, etc. Não faltam opções de papéis para podermos incorporar, escolhemos as nossas de acordo com a nossa dor, nossas vivências, para conseguir prosseguir a vida sem nos machucar muito, nos defendendo da forma que podemos.

Mas quero falar do bonzinho, daquele que está sempre disponível a ajudar alguém, sacrificando o seu tempo com a família, com os amigos, só para agradar outra pessoa. Coloca muitas vezes o seu bem-estar de lado, raramente consegue dizer não, pois o medo que o assombra é de não ser amado, não ser aceito caso resolva impor a sua vontade.

Essas máscaras estão tão grudadas que raramente conseguiremos aceitar ou mesmo identificar como algo que tem uma finalidade. Outro dia postei no Instagram uma pergunta: qual é a máscara que você usa? E prontamente várias pessoas colocaram que não usam nenhuma. Isto porque essa palavra causa uma estranheza, como se o uso das máscaras fosse algo calculado com frieza, mas garanto que a maioria delas, que desenvolvemos desde pequenos, são incorporadas em momentos de extrema necessidade como: vou fazer tudo para a mamãe, pois assim ela irá me amar e não vou apanhar.

Essa máscara é escolhida por um sentimento genuíno como forma de sobreviver dentro de um contexto por vezes muito agressivo, de não acolhimento. Desta forma, ao ser bonzinho a criança tenta garantir o amor, a calma, o olhar que anseia. E no decorrer dos anos de tanto abaixar a cabeça, chega à vida adulta dizendo sim a tudo, a pessoa torna-se aparentemente um ser doce, mas na verdade há um vulcão dentro de si mesmo pronto a explodir, a mostrar o seu pior lado. Às vezes esse lado mais ríspido, raivoso aparece na relação com os filhos, funcionários, e até com os pais que já estão na velhice. Sempre irá escolher a quem poderá mostrar, mas no dia a dia sempre estará pronto para servir o outro.

Não podemos esquecer que qualquer máscara que escolher vem cumprir um papel e raramente não causará incômodos. Demoramos muitos anos, às vezes somente na velhice quando já estamos cansados é que começamos a ser realmente espontâneos com a nossa natureza, com o eu interno.

Quanto tempo perdido, quantas noites de insônia, raivas mal resolvidas, tudo porque como fomos muito bonzinhos engolimos muitas situações que nos eram agressivas. Talvez agora, lendo esse texto você consiga perceber qual é a sua máscara, do que você vem se protegendo e o que precisa fazer para se libertar para ser autêntico consigo mesmo.