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Vou iniciar esse texto voltando à época em que as crianças são pequenas e que dizemos ao parceiro:”Cuidado, precisamos dar bons exemplos para nossos filhos.” Acredito que essa situação seja bem familiar para você e mesmo que não tenha filhos, ainda assim pode ter um sobrinho ou os filhos de um casal de amigos como exemplo.

Mas o  importante aqui é lembrar que os exemplos modelam as crianças, não é mesmo? E com os adultos também funciona da mesma forma, basta olhar na internet a quantidade de seguidores que compraram o vestido da Princesa Kate ou que começaram a correr igual a um blogueiro do Instagram. Então por que seria diferente com relação à alimentação?

A grande questão é que existem milhares de pessoas sofrendo com a obesidade no mundo e no Brasil não está diferente. A obesidade é uma das principais causas de óbitos atualmente em função das comorbidades decorrentes da mesma. Desta forma, não há como não estender o olhar e verificar quais são os estímulos que levam pessoas aos transtornos alimentares, sendo que o maior deles é a busca do corpo magro.

Esse assunto tem sido debatido ao longo dos anos e percebo que se por um lado conquistamos avanços, por outro, andamos para trás. Quanto mais se faz dietas, mais aumentam os transtornos alimentares, trazendo uma série de prejuízos, não só aos pacientes como para seus familiares.

As propagandas de alimentos saudáveis aumentam e, consequentemente, maior é a procura por tratamento. Infelizmente, muitos dos fatores que levam a esse aumento de casos de bulimia e compulsão alimentar se dão em função do sentimento de impotência em perder peso, nas tentativas de seguir protocolos alimentares rígidos. As mídias sociais reforçam ainda mais, como se todos os que propagam essas receitas perfeitas fossem seres perfeitos, que nunca escorregassem e tivessem momentos de abuso alimentar.

Somos pessoas reais e, portanto, todos nós vamos comer sim um pouco a mais em alguma ocasião, ou mesmo consumir algum prato extremamente tentador e isso será normal. Infelizmente se tornou anormal quem não segue protocolos, como se fosse um suicídio comer alimentos com leite, com glúten ou chocolate.

Por isso, nós, profissionais da área de saúde, precisamos mostrar que somos acima de tudo seres humanos, que também comemos o que nos dá prazer. Que também temos oscilação de peso, que é natural comer o que se gosta, pois não adianta só focar em evitar doenças físicas, pois estaremos criando doenças emocionais, muitas vezes mais difíceis de encontrar a cura.

Talvez o equilíbrio deva começar em você, que também é responsável pelo outro que procura tratamento para suas dores físicas e emocionais.