Parece brincadeira, mas não é. Apesar de trabalhar com obesidade e transtornos alimentares e saber da importância de se ter um corpo saudável, eu não caí na neura de ter o corpo perfeito.

Acredito que como trabalho nessa área a minha responsabilidade é ainda maior, visto que sou o exemplo de mulher que faz o necessário para ter saúde, todo o resto ligado à vaidade não me seduz.

Se sou feliz assim? Claro! Nunca irei trocar a minha satisfação de comer um pedaço de bolo pela obsessão de me manter magérrima através de dietas megarrestritivas.

Mas muitas pessoas acabam lidando com seus corpos como se os mesmos fossem massinha de modelar e pudessem manipular mais e mais, buscando um visual perfeito que caiba dentro de seu crivo imaginário.

Não se contentam em irem à academia quatro dias na semana, querem ir todos os dias. Não se permitem comer algo que se goste muito sem culpa e ainda recorrem à privada para colocar for a tudo o que engoliram. Culpa, medo, pânico de engordar, de ficarem expostas, frágeis, como se o corpo magro e malhado fosse o escudo contra qualquer ameaça. Não percebem que é justamente o contrário. Quanto mais se escondem atrás de um corpo perfeito, mais focam no externo e menos habilidades em lidar com o mundo lá fora.

Quando olhamos em torno de suas vidas, percebemos o quanto há instabilidade, pois não há como ter prazer quando o foco se resume somente no corpo perfeito.

Fico feliz de poder tomar meu café maravilhoso com chocolate, de ter gordurinhas normais de minha idade sem o medo de ser arrebatada por um ego enorme que busca no externo a possibilidade de se sentir feliz ou completa.

De encarar, por mais que sejam doloridos, os inconvenientes que a idade traz, de forma leve, focando na aprendizagem que os anos me trazem, e não no que perco ano após ano. O desafio é diário e te pergunto: até quando seu corpo irá mascarar o que na verdade dói dentro de você?