1-culpar

Lembra quando era criança, era fácil inventar brincadeiras para passar o tempo, muitas vezes era divertido jogar no outro algum objeto, o mais comum eram os travesseiros. Nessa época da vida tudo pode ser bem engraçado, e se pegássemos o travesseiro que o colega jogou para nós, não haveria mal algum. Mas será que hoje devemos pegar o travesseiro do outro?

Nós crescemos e algumas vezes pegamos para nós responsabilidades que não nos pertence, como, por exemplo, limpar a sujeira que o colega de trabalho deixou em nossa mesa. Poxa, que coisa chata isso, podemos até jogar fora o que o outro largou, porém, se esses momentos se tornam frequentes, será nossa responsabilidade limpar?

Aposto que agora entendeu sobre o que estou querendo passar para você, tudo é uma questão de mostrar que acabamos assumindo culpas, responsabilidades que não nos pertencem, simplesmente porque o outro nos joga o travesseiro e o pegamos.

Isso acontece não somente no trabalho, na relação com o parceiro amoroso, ou na relação com amigos, mas também com os nossos familiares, pois nos acostumamos a ouvir que somos culpados de tantas coisas, que na nossa cabeça isso toma uma grande proporção, e quando menos percebemos, assumimos culpas que não nos pertence.

O princípio de tudo normalmente ocorre dentro do meio familiar, acabamos responsáveis pelos irmãos mais novos e alguns chegam a apanhar por situações que não lhe cabem, como se fôssemos de fato pais deles. A confusão de papéis pode ser muito maléfica, quem não tem algum amigo que se tornou o responsável pela casa, quando na verdade deveria estar ocupando somente o lugar de filho?

Algumas situações até transcorrem de forma a ajeitar o que vai surgindo e em alguns aspectos podem até trazer aprendizagens positivas, e é claro que devemos considerar isso. Mas o foco é quando nos acostumamos a ocupar o lugar de responsáveis em tudo e deixamos que nos atormentem com isso.

Talvez agora se dê conta de quanto tempo vem pegando o travesseiro do outro em vez de jogá-lo de volta. Acaba ficando e se acostumando com a brincadeira, vai acumulando uma série de travesseiros que em algum momento não sobrará nem espaço para respirar e vai morrer sufocado.

Chega! Chegou o momento da limpeza, devolve o que não é seu, liberte-se do que não lhe traz harmonia e paz. Comece com pequenas coisas, como pedir para o amigo jogar fora a embalagem da bolacha que ele deixa todos os dias em sua mesa de trabalho, verá como se sentirá bem com isso. Aos poucos começará a colocar ordem em sua vida, limpando e passando a bola para quem é responsável de fato.

E a culpa? Nem olhe para ela, afinal agora é a sua vez de respirar livremente.

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