Confesso que me empolgo em ter filhos na adolescência pois é uma época linda de grandes projetos, ilusões, opiniões afloradas, debates sustentados pela ideia de precisar ter um lugar no mundo.

Percebo que eles também curtem, se sentem mais perto da liberdade, de conquistar território, querem poder sair de casa com mais frequência. Acho interessante a postura corporal como muda, a forma do olhar, do semblante. Talvez eu esteja atenta demais aos detalhes, mas prefiro viver esse momento com eles dentro do que é possível e permitido. É claro que existem limites, e confesso que não é fácil para os pais.

Muitas vezes me deparo com o meu filho, aquele afetuoso, cuidadoso comigo, que adora abraçar, expressar o sentimento, mas às vezes, me deparo com um filho que não conheço, esse é novo, me amedronta.

O novo assusta, abre novas possibilidades. Um filho na adolescência já é uma aventura, logo mais em um mês, terei dois. O que fazer?

Como profissional da área da psicologia sempre tive em mente que era preciso separar a mãe da profissional, e sempre que precisei busquei ajuda, pois o olhar de mãe é mais limitado e traiçoeiro. Desta forma acredito estar mais presente na vida deles, sem teorias, manuais, mas claro que com um olhar um pouquinho mais atento.

Os pais de forma geral acabam tendo alguns atritos ou dificuldades em lidar com o filho nessa idade, para os que não têm o costume de falar sobre o que sentem encontram uma barreira ainda maior. Querem impor regras, mas não se abrem verdadeiramente para viver essa fase com os seus filhos.

A soma de tantas diversidades facilita ou dificulta ainda mais essa fase, ainda mais quando as vezes nos deparamos com um estranho dentro de casa, aqueles momentos em que seu filho não se parece mais com o filhinho amado que estava acostumada. Esse mudou, vem se testando e testando os pais, o mundo. Não é fácil, mas apesar de ser muitas vezes assustador, lembre-se de que quanto mais tranquilidade e abertura para receber o novo, mais conseguirão passar por essa fase sem grandes obstáculos.

Vou listar algumas posturas que podem ser de grande auxílio:

– Os limites devem ser claros, eles precisam sentir que podem contar com você;

– Não confundam limites com autoritarismo, explique, converse e dê abertura para o novo quando se trata de educar;

– Fale de sua vida e permita que seu filho participe, assim ele também contará o que se passa com ele, facilitando muito esse processo de transição para os dois lados;

– Não se magoe com as situações que fogem ao seu controle, lembre-se de que essa ideia é falsa, não podemos proteger e nem controlar o que ocorre com eles. Sendo assim faça a sua parte, esteja presente, oriente e permita ele cair e aprender a seguir em frente.

– Procure atividades que possam compartilhar juntos, pode ser jogar futebol, fazer unha com a filha, preparar uma refeição a quatro mãos.

Parece uma missão impossível? Não é! Por mais assustador que pareça ser, e é em muitos momentos, estou feliz com os resultados, meu desafio agora é como reproduzir com o mais novo integrante dessa fase, pois não se esqueça de cada filho tem sua própria personalidade, então talvez precise de mais aquecimento, mais jogo de cintura. Mas siga em frente com um olhar curioso, desvende esse momento junto com ele, talvez precise jogar muitas de suas dificuldades no lixo, tenha que aprender a dançar um novo ritmo de música, mas acredite, no final será muito mais compensador estar com ele do que contra ele.