A gula tem sido um fantasma negro na vida de muitas pessoas, um verdadeiro ceifador da alegria. Esse desejo de comer que ultrapassa os limites do bem-estar provoca muita dor, sensação de impotência, baixa autoestima, raiva e tristeza. O dia seguinte sempre está vinculado à promessa do fazer diferente, mesmo que essa história venha se prolongando no decorrer dos anos.

Um dos piores males que esse estado provoca é a sensação da falta de controle, levando a diversas crenças a respeito de si mesmo e reforço das mesmas pelas pessoas que estão convivendo junto. Isso porque para quem não sofre desse mal o comer excessivo não passa de uma falta de força de vontade em cuidar do que ingere.

A forma de encarar esses comportamentos deve ser mudada, o olhar de forma mais acolhedora para o que significa esse comer exagerado é um dos caminhos para a cura. Quanto mais tentamos negligenciar o que sentimos e fazemos a opção de fazer de conta que tudo está bem, pior o quadro emocional que leva aos excessos alimentares.

Atualmente com tantas informações disponíveis a respeito do assunto, muitas pessoas percebem seus comportamentos alimentares com mais clareza, chegando para buscar ajuda com uma percepção mais aguçada do porquê estabelece essa relação de codependência com a comida. Isso de alguma forma facilita, porém, é só o início de uma jornada a respeito de si mesmo e de como lidar com esses gatilhos emocionais que funcionam como amortecedores da dor.

O convite é encarar de frente esses monstros que lhe assombram, somente assim poderá se fortalecer o suficiente para dar os passos necessários para mudar a sua relação com a comida e com a sua vida emocional. Não é preciso ter medo, todo esse processo pode ser feito dentro de seu tempo interno, com calma e muito carinho.