Dia Internacional Da Mulher

Por que precisamos de um Dia da Mulher

Por Letícia Sorg

08/03/2017, 07h00

   

Uma breve lista de razões que justificam a data no calendário nacional - aberta à contribuição de todos vocês, leitores

O violeta foi a cor escolhida no Brasil para simbolizar o apoio ao movimento deste Dia Internacional da MulherTodo 8 de março é o mesmo questionamento: por que um dia delas, por que não há um dia dos homens também? É fato que muita coisa mudou desde a instituição do Dia Internacional da Mulher, no início do século XX. Elas conquistaram os direitos de trabalhar, de votar, de se candidatar a cargos públicos. Mas, mesmo que para muitos e muitas a questão possa parecer resolvida (e eu estive entre essas pessoas um dia), os dados mostram que homens e mulheres ainda não têm condições iguais de vida no Brasil e no mundo. Ainda é necessária uma data para lembrar isso.

Não conseguiria explorar todas as dificuldades das mulheres no planeta – desde a preferência por meninos que faz as mães abortarem ou abandonarem meninas na Índia, passando pelas meninas que não conseguem ir à escola na África até as mulheres mortas em crimes de honra em vários países islâmicos, para ficar em pouquíssimos exemplos. Mas gostaria, neste dia, de elencar algumas razões para manter essa data no calendário nacional.

1. As mulheres trabalham, em média, 7,5 horas a mais por semana que os homens. Considerando a jornada dentro e fora de casa, elas somam 53,6 horas de trabalho e eles, 46,1. Aqui, a boa notícia é que os homens com maior nível de renda trabalham mais em casa, ajudando a equilibrar o jogo: 57% dos que ganham entre 5 e 8 salários mínimos dizem realizar afazeres domésticos, ante 49% entre os que têm renda de até um salário mínimo.

2. As mulheres ganham, em média, 75% do salário de um homem no mesmo cargo – e a diferença aumenta de acordo com a escolaridade. Aquelas que têm Ensino Superior Completo ganham, em média, 66% do que os homens de igual formação em função semelhante. Além da diferença salarial, as mulheres têm dificuldade para ascender na carreira. São maioria entre os estagiários (58%), mas representam 38,8% dos cargos de supervisão, 31,3% dos postos de gerência, 13,6% das posições executivas e só 11% das vagas em conselhos de administração.

3. Quatro mulheres morrem por dia no Brasil por complicações do aborto, e 200 mil são internadas por ano ao tentar interromper a gravidez. Antes que alguém julgue essas mulheres, onde estão os homens que as ajudaram a engravidar? Na maioria das vezes, abortaram de sua responsabilidade bem antes desse momento.

4. Enquanto 17% dos homens dizem terem sido vítimas de agressão física dentro de casa, 43% das mulheres relatam o problema. Já no ambiente público, 80% dos homens relataram agressão, ante 49% das mulheres.

5. O Brasil tem a 11ª maior taxa de homicídios do mundo: são 32,4 assassinatos por 100 mil pessoas. É verdade que 80% das vítimas são homens – um problema gravíssimo que afeta a expectativa média de vida masculina. Mas, entre as mulheres, 38% são mortas pelos próprios parceiros. O Brasil tem a quinta maior taxa de feminicídios do mundo.

6. Só 10% dos parlamentares e 5% dos chefes de Estado são mulheres. Isso dá ao País a posição de número 86 num ranking com 140 países. Considerando todos os outros critérios – como acesso a saúde, educação, crédito e situação no mercado de trabalho -, o Brasil está em 79º na lista da desigualdade de gênero, atrás da maioria dos países da América do Sul.

7. Segundo os números oficiais, uma mulher é estuprada no Brasil a cada 11 minutos. Considerando que muitas deixam de denunciar a violência, a frequência pode ser de um caso por minuto, ou mais de meio milhão de mulheres vítimas a cada ano.

Essa breve lista é só o início da discussão: os leitores e as leitoras devem saber de muitas outras situações que justifiquem o 8 de Março. Seja olhando as estatísticas ou as próprias vidas. Sejam bem-vindos a contribuir nos comentários!

E se você ainda tem dúvidas de que as mulheres ainda precisam lutar por respeito e reconhecimento, basta olhar os comentários grosseiros que provavelmente aparecerão embaixo deste post – e de outros posts sobre o assunto – nas redes sociais.

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