O sociólogo americano Philip Cohen causou ao desenterrar um fato de 36 anos atrás.  Em sua conta no Twitter, postou a seguinte imagem acompanhada de uma mensagem: “Eles tinham a mesma altura.”

Trata-se do selo comemorativo da Família Real pelo casamento do príncipe Charles com a princesa Diana, em julho de 1981. Na imagem, ele parece uma cabeça mais alto do que ela. Mas, para quem tinha visto o casamento, estava claro: os dois eram quase da mesma altura, ele 1,80 m e ela, 1,77 m. Para quem duvida ou para quem gosta de ver um casamento com direito a manga bufante, segue o vídeo:

Teria sido um erro? Uma questão de enquadramento? Segundo uma reportagem do New York Times recuperada pelo professor Cohen, deram a seguinte explicação na época: ela estava mais para baixo porque no canto superior direito estava a imagem da rainha. Ah, tá.

E como explicar, então, essa sequência de fotos oficiais postada pelo especialista?

Não há saída se não admitir que, para a Família Real, era importante deixar registrado para o mundo que Charles era mais alto do que Diana. E mais poderoso, e protetor, e, em certa medida, importante. E que Diana era mais frágil e menor (ou menos importante?) do que ele.

É mais um caso daqueles de estereótipos. E, nesse caso, além do aspecto cultural, a biologia tem um papel.  Cresce mais quem se alimenta melhor. Namorar alguém mais alto significaria, então, estar com alguém que cresceu numa família com boas condições de vida. Segundo alguns estudos, há outras vantagens, psicológicas: desde cedo as crianças mais altas se destacam mais e ganham papéis de liderança, o que os ajuda, mais tarde, a ter mais confiança. Resultado é que os mais altos são vistos pelos outros como mais inteligentes e poderosos – e acabam de fato ocupando esses papéis. Considerando os presidentes das 500 maiores empresas, vamos encontrar muito mais homens (ah, vá!?) e, entre eles, uma média maior de altura.

Quem nunca teve uma amiga que exigia um mínimo de altura do mocinho para pensar no caso? Quem nunca teve uma amiga mais alta que jamais ousava colocar um salto para não ficar mais alta do que o namorado? A altura não chega a ser vista como uma vantagem para as mulheres, mas quem nunca recorreu a um salto alto para se sentir poderosa?

Fiquei pensando que, ao fazer essas escolhas, talvez estejamos reforçando os papéis de “homem forte” e “mulher frágil” que tanto lutamos para mudar. Enfim, altura não é tudo. Trump e seus 1,88 m estão aí para nos lembrar disso.

Foro privilegiado? O cineasta Roman Polanski está tentando pôr um fim à acusação por estupro. Seus advogados entraram na Justiça americana para pedir que o caso seja encerrado sem que ele tenha que passar mais tempo na cadeia. Polanski admitiu ter estuprado uma menina de 13 anos em 1977. Na época, passou 42 dias preso. “O Sr. Polanski tem 83 anos e quer finalizar este caso, quer superar isto. O crime que ele cometeu é indefensável. Ele nunca tentou negar isto”,  disse o advogado. Nunca tentou negar, mas também nunca quis pagar pelo crime que cometeu.

Luz no fim do túnel. Sempre que falo do feminismo, alguns dizem que as ativistas precisam olhar para o Oriente Médio, que é lá que está o problema maior. Talvez tenham certa razão – embora tenhamos no Ocidente muitos problemas graves que merecem atenção. Por isso foi bom ler na revista The Economist que mulheres assumiram o comando de dois bancos e da bolsa de valores da Arábia Saudita. É bom, mas ainda é pouco num país que trata as mulheres como crianças por toda a vida: elas só podem trabalhar e viajar com a autorização de um tutor. A situação fica ainda mais ridícula quando, após perder o pai e o marido, por exemplo, a ‘guarda’ fica com um filho ou um irmão mais novo. Para escapar da regra, milhares de mulheres estão fugindo do país. Algumas vão estudar fora e nunca voltam. Outras se arriscam em casamentos de conveniência fora do país. Como se vê, a proibição de dirigir é apenas uma pequena parte do problema por lá.

O Haiti é aqui. Elas podem precisar de um tutor, mas há mais mulheres na política da Arábia Saudita do que na brasileira. Lá elas ocupam 19,9% dos assentos do Parlamento. Aqui são apenas 10%. Na Argentina, somam 37%, como base de comparação. A taxa de mortalidade materna por aqui ainda é alta – 44 mortes a cada 100 mil nascidos vivos. A Noruega, a primeira colocada no ranking, apresenta 5 mortes para cada 100 mil. As brasileiras também registram um caso de violência a cada 7 minutos. E a participação delas no mercado de trabalho é menor do que poderia ser. Segundo o levantamento, 56,3% das mulheres acima de 15 anos estão no mercado de trabalho. Entre os  homens, o índice é de 78,5%. Por essas e outras, o Brasil, que ficou estagnado em 79° no ranking geral, cai para 92° quando o quesito é a igualdade de gênero.

Em tempo. O filme Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures), sobre as engenheiras negras da Nasa, arrecadou mais nas bilheterias americanas que X-Men e Star Trek. É a prova de que Hollywood pode ganhar dinheiro contando histórias diferentes das que está acostumada a mostrar.

Até a semana que vem por aqui, ou, se preferir, me encontre no Facebook ou no Twitter.