Será? Por que sempre esperar algo em troca? Faça isso que eu te faço isso. Me dê isso que eu te dou isso. A vida está mais para a arte de dar com uma mão e tirar com a outra. Onde já se viu convidar pra uma festa e ficar esperando o presente? Ou convidar pessoas queridas para serem padrinhos de seus filhos e esperar a roupa do batizado ou outra coisa qualquer? Dar um presente à sogra e esperar que ela também lhe dê algo em troca (e quando isso não acontece você ainda fala mal dela). Esperar do marido ou do namorado um presente que você quer, na data que você espera. Será? Relação afetiva não é troca material. Por que marcamos tanto as relações pelo material?

 

Sensação de que projetamos desejos e vontades nas relações afetivas de forma muito material, e quando não se ganha o esperado vem uma frustração gigantesca. Tenho ouvido e lido muita mãe reclamar que a madrinha deveria ter dado isso e aquilo, mas trouxe “só” uma lembrancinha na festa. Que a avó não deu o que o neto pediu. Que a mãe da amiguinha da escola sabe que ela não gosta da boneca X e, mesmo assim, deu de presente. Ou que a fulana repassou presente que ganhou. E por aí vai, uma reclamação atrás da outra, e uma supervalorização do que ganharam ou deixaram de ganhar. Oi?! Te pergunto: que tipo de relação é essa que você quer construir na vida? Porque se for a curtíssimo prazo ela até pode ser material. Mas se for relação de coração, de vida, não dá pra ser na base do “deixa eu ver o que você vai me dar pra eu ver o que eu te dou”. Presente não compra presença.

 

Quem aqui se lembra da chamada na escola, logo no começo da aula? O professor chamava o seu nome e o que você respondia? “Presente!” Bingo. Estar presente é um presente. A palavra, que é apenas uma, tem dois usos tão distintos e, ao mesmo tempo, tão próximos. Presença é sinônimo de presente e vice-versa. Por isso que a gente convida as pessoas a estarem perto, a participarem da festa, da comemoração. Não é para ganhar. É porque a presença dela é seu maior presente. Deu pra entender?

 

Mas é a cultura do must have, e, infelizmente, quando se tem filhos isso torna-se um perigo danado! Porque a tendência é fazer o mesmo que se espera dos outros com as crianças. Sem falar nos valores que se ensina. Ou você acha que a criança não está aprendendo nada sobre o que esperar das relações? Claro que está. Você já ouviu falar que criança aprende por imitação? Pois… Relações = laços em ações = fazer juntos. Alguém já pensou em formar seres humanos íntegros e verdadeiros, e não consumidores de mercado? O mundo e o futuro não comportam mais esse estilo de vida onde o “ter” substitui o “ser” ou “estar”.

 

O educar uma criança para a vida vai além do português e da matemática. Ensinamos valores morais e humanos. Sempre pensando que aquela criança vai crescer e vai se tornar “alguém na vida”. E o que se deseja a um filho, a uma criança? Que tipo de ser humano quero para o mundo e no mundo? Alguém que saia quebrando tudo porque não ganhou o que queria ou alguém que estenda a mão a quem precisa de ajuda? Existe um provérbio árabe que diz “a mão que dá está sempre acima da que recebe”. É o “não” poder tudo, ter tudo ou fazer tudo. Não é dando que se recebe? Exemplo aqui é fundamental.