Na minha época não era assim, aliás, era bem diferente! Criança não respondia, não questionava, não levantava da mesa a cada milésimo de segundo, não tinha babá, folguista e mais um monte de “nãos” que a gente conhece bem. Ok, mas o mundo mudou. E agora, fazemos como?

Enquanto muita mãe se descabela, literalmente, para tentar entender as questões acima, algumas delegam as babás, outras as escolas e algumas esquecem o quebra braço diário e resolvem usar outras “táticas”. Sim, porque educar hoje em dia é um jogo, com direito a disputas e vencedor no final. Ultimamente, são as crianças que andam chegando ao final vitoriosamente – ou ao menos aparentemente.  Mas e ai, como é que a gente vira esse jogo?

Educando. Agora prepara porque educar dá trabalho. Precisa parar de gritar do sofá e ir lá, pegar teu filho pela mão e levar, talvez até com 9 anos ainda, pra tomar banho ou escovar os dentes. A sensação é de que muitos já se perderam na forma de educar e colocam a culpa no bombardeio de informações, na tecnologia, na TV e até na escola. Ok. Alguns têm culpa no cartório sim. Mas educação é pai e mãe quem dá. Não é escola. Escola escolariza, como diz o filósofo Mario Sergio Cortella. Formar um ser humano é responsabilidade dos pais e isso não pode ser delegado a ninguém. Essa é a diferença básica entre ensinar e adestrar.

Mas senta ai e não levanta que eu tô falando! Não! E não responde quando a mamãe fala, senão você vai pro castigo pensar. Opa! E não é que pensar virou castigo. Como assim? Tá tudo invertido mesmo. Pensar deveria ser prêmio. Aliás, o que as crianças mais fazem hoje em dia é pensar. Brincam pouco e pensam muito. Mas é isso. O mundo mudou e hoje crianças estudam em escolas que as colocam pra pensar. São elas que constroem o pensamento e chegam a conclusões. O professor apenas guia, dá as ferramentas. Isso forma crianças mais questionadoras, investigativas e curiosas. Bingo! E dai queremos que elas fiquem quietas, que não respondam e não façam perguntas. Inversão de papéis de novo. Se estimulamos a questionar, precisamos nos preparar para responder e para lidar com essa criança que é hoje questionadora. E que fique claro: disse questionadora e não mal educada.

Pergunto: até que ponto, será que pais não têm que olhar essa geração de forma nova, diferente? Parar de esperar deles algo que já se foi, que não pertence mais a essas crianças. Talvez esteja aqui a resposta pra tanto pensar. Porque estamos sempre em busca de algo que não existe mais. Precisamos resgatar conceitos que se perderam com a velocidade do tempo e da tecnologia sim, mas precisamos também aprender a lidar com o que temos e olhar o futuro sem nostalgia do passado.

Enquanto a gente vive esse choque de uma educação ainda cheia de valores perdidos e totalmente subvertida, as crianças andam soltinhas por ai, com uma independência aparentemente madura. Vale a gente lembrar que se educa para a vontade através da liberdade. Isso é a auto consciência. Difícil? Imagina! Tá baba!