Este título é de uma matéria que escrevi ano passado para a revista da qual eu era redatora-chefe. Fazia parte de um especial, “Grávidas”, onde, inevitavelmente, você precisa escrever algo sobre os tipos de parto. Mas sempre caímos nos mesmos senões, e pensando me dei conta de que a patrulha do parto normal – pausa: eu que escrevo aqui tive três partos normais, ok? – é um saco. É chata e é maldosa. E sabe por quê? Porque todo parto é normal.

Repito. Toda forma de nascer, dar à luz, é normal, seja ela humanizada, natural, “normal”, em casa, na água, cesariana, ou qual mais existir pelo mundo afora. Não pode ser anormal, ou errada, qualquer forma de trazer vida ao mundo.

Semana passada tivemos a notícia, determinada pela Justiça Federal, que partos normais, realizados por médicos de planos de saúde, devem receber três vezes mais do que por cesáreas. Isso contra o empate que se tinha antes como prática. Óbvio que essa determinação incentiva, e muito, que médicos optem pelo parto normal agora. Eles ganham um incentivo pela espera do trabalho de parto. Antes podiam agendar a cirurgia, era só chegar ao hospital no horário marcado, fazer o trabalho e beijinho. Ganhava-se o mesmo. A decisão ainda precisa ser aprovada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar e faz parte de um pacote de medidas pra redução de cesáreas no país.

Há poucas semanas, também, um estudo americano, divulgado na revista Crescer, fala da nova regra em que médicos americanos não podem realizar cesáreas com menos de 39 semanas de gestação. É comprovado que as últimas semanas dentro do útero são superimportantes para ganho de peso e maturidade. Sim, o bebê só está pronto pra nascer quando a mulher entra em trabalho de parto. Esse é o sinal. Isso indica a maturidade do bebê e indica, também, a hora certa de realizar uma cesárea ou um parto normal. E é aí aonde eu queria chegar. Porque é exatamente nesse ponto que precisamos entrar com respeito. Abaixar as bandeiras e dar trégua às mães que optam pela cirurgia. Óbvio, claro, que existem riscos e etc., mas, se o medo dela for maior que tudo e se a vontade dela for maior que tudo e qualquer regra, sim, ela deve poder fazer uma cesárea. E deve, antes de mais nada, ter o respeito e apoio de outras mães.

Para ficar claro: o mais importante é a vida que geramos dentro do nosso corpo – a vida que cresce, nasce e pede para viver. A maneira de vir ao mundo é apenas um meio – e não deve ser alvo de julgamentos. Sou mega a favor do parto normal. Já levantei bandeira e fico louca da vida quando converso com uma mãe que gostaria de um parto normal mas que já tem todas as justificativas do médico pra realizar a cesárea. Óbvio também que sabemos que respeitar o tempo é respeitar o momento certo em que o bebê está pronto para vir ao mundo. Não existe questionamento sobre isso de forma alguma. O questionamento é sobre a escolha da mãe. Por mais que não concordemos, ela tem esse direito. E, sim, toda forma de dar à luz deve ser considerada normal, porque nascer não é anormal.