Pense. Individualmente, pense. O que você gostaria de ver no mundo como mudança? A pergunta é um convite à reflexão e o texto também vai te convidar a refletir – mais do que ler. Somos adultos. Atarefados, cheios de compromissos e reuniões, mas precisamos ser mais coerentes com nossos discursos. Dizem por aí que somos ativistas de sofá e dá pra crer que é a mais pura verdade.

Mahatma Gandhi, líder pacifista indiano, é autor do pensamento que originou esse título: “Seja a mudança que você quer ver”. E os jovens da escola Rudolf Steiner espalharam escritos com a pergunta “O que é ser a mudança no mundo?”. Num vídeo tocante e inspirador, em que eles convidam jovens a se cadastrarem e participarem do 1º. Congresso Brasileiro de Jovens Waldorfs, eles se questionam sobre que mudança seria essa e como fazer essa mudança. São adolescentes que se sentem chamados a fazer algo pelo mundo, a mudar uma realidade que nos incomoda tanto. Porque eles acreditam que são capazes e porque nós também acreditamos. São como um sopro de esperança. De novos ventos.

Ano passado, vivemos inúmeras ocupações em escolas públicas em que os alunos protestavam contra a reforma do ensino médio. Ana Julia Pires Ribeiro, de 16 anos, aluna secundarista do Paraná, fez um discurso, na época, na plenária da Assembleia Legislativa do Estado, em que disse “Os colégios do Paraná e do Brasil estão ocupados pela educação. Não estamos lá para fazer baderna, não estamos lá de brincadeira. Lutamos por um ideal, porque a gente acredita no futuro do nosso país, que vai ser o país dos nossos filhos e dos filhos dos nossos filhos, e eu me preocupo com esse país”. Ana Julia termina dizendo “não ocupamos por bagunça, mas porque acreditamos no futuro do Brasil”.

Algo me diz que deveríamos servir de inspiração a esses jovens também. Algo como ser capaz de enxergar na imagem dos pais a força necessária para provocar uma mudança. Mas pra isso, imagem e movimento deveriam ser coerentes. Foi por ai que eu comecei o texto e volto agora na reflexão. Como queremos provocar mudanças no mundo se não atuamos nela? Como provocar mudanças postando do seu Facebook? Não seria mais coerente criar movimentos, participar, interagir, agir?

Os jovens estão na busca esperançosa por bons representantes. O Brasil, ou os brasileiros, continuam na busca esperançosa por bons representantes. Mas nossa participação e nossas mudanças começam aqui, no menor, no que nos é cabível dentro do cotidiano. Porque as coisas ordinárias podem ser extraordinárias.
Pense. Individualmente, pense. O que você gostaria de ver no mundo como mudança? A pergunta é um convite à reflexão. E a mudança só será possível de acontecer se você fizer parte dela. Movimentos precisam de pessoas para acontecer. Histórias precisam de pessoas para existir. Porque histórias só são capazes de existir se existirmos nós. Pense.